quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Um remédio para a alma.

  Estava nas barcas, cumprindo a rotina que todos os dias me consome. Não que “consumir” deva ser entendido como algo negativo, longe disso, a minha rotina me consome a raiva, me faz esquecer a dor. Posso dizer que ela possui um incrível poder de cura, de libertação.
  Durante o caminho eu pensava na vida, nos trabalhos e provas que se aproximavam, nas atividades que devia fazer no dia seguinte. Como sempre, a minha mente não me dava trégua. No entanto, resolvi parar. Não foi uma resolução consciente, na verdade, mal sei se cheguei a possuir o direito de escolha e o que me levou a tomá-la, só sei que parei.
Parei e comecei a sentir a forte brisa do mar tocando o meu rosto de forma tão confortante que mal conseguia me mover. Senti uma energia invadindo o meu corpo e por um instante fui capaz de entender o que chamavam de levitação.
Naquele momento eu me senti plenamente feliz.
Não era uma felicidade concreta, que eu pudesse explicar enumerando motivos, nada disso. Eu apenas estava em paz.
  Era uma paz tão profunda que cheguei a sentir meus olhos se encherem de água e apesar da imobilidade do corpo, foi neste momento que resolvi escrever. Peguei papel e lápis, pois sabem que algum dia eu sentiria saudade da emoção causada por aquele momento. Quem sabe ao relatá-lo em um papel ele se tornaria eterno e eu poderia relembrá-lo em momentos tristes.
  Talvez ao colocar minhas emoções em um papel eu pudesse vê-las de fora, com o olhar de um visitante, sem me deixar influenciar pelo fato delas me pertencerem, fazerem parte de mim. Quem sabe assim eu conseguisse compreende-las.
  Em pensar que se fosse possível transmitir tudo que sinto para folhas a minha vida seria tão diferente... Ao sentir saudade de um momento vivido ou de uma sensação sentida me caberia apenas buscar meu caderno e nele procurar a parte que faz falta. Ao lê-la calmamente, acreditaria estar vivendo novamente o que já passou.  

O motor do barco desligou.
A pressão do vento diminuiu.
Um homem tossiu próximo a mim. 

Só após algum tempo pude compreender...

... Que pena, a minha viagem ao mundo dos sonhos acabou. Acho que eu nunca havia ido para tão longe em tão poucos segundos.
               
                                                                                           Texto escrito no dia 20/09/2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Entre um ponto e outro, uma Rosa...

  O ônibus não estava tão cheio como o de costume. Era por volta das dez da noite e haviam lugares sufiencientes para que não fosse necessário o compartilhar de acentos.
  Lá estava ela. Solitária em seus pensamentos mais íntimos.
Cantarolava músicas mentalmente, quem sabe, ou simplesmente apreciava o nada. Parecia possuir um cansaço típico de quem enfrentou um longo dia de trabalho desgastante e aquele momento de recolhimento era no mínimo necessário para a sua sobrevivência física.
  O banco a aconchegava de forma a envolve-la como um feto, e mesmo com o visível desconforto proporcionado pela posição, era possível dizer que aquela mulher nunca esteve tão bem acomodada em toda a vida.
  Então, em meio a calmaria de um dia por terminar, observa-se a entrada de um homem. Seu jeito afoito de vasculhar os pertences a procura da carteira e a forma com que atravessou o corredor do transporte atraiu a atenção dos poucos passageiros que ali estavam. Ele caminhava agitado, como se não procurasse apenas um lugar para se acomodar, procurava algo além, procurava si próprio.
  Foi então que se deparou com Rosa, em estado de descanso profundo, recostada na janela.
Ao se dar conta da presença de um rosto conhecido em meio aquele ambiente aparentemente impessoal, o semblante do homem de alterou de forma exorbitante.
Parecia ter visto um poço d'agua em meio ao deserto.
A última das esperanças dada a um descrente.
  Rapidamente o homem seguiu na direção da moça, tratou de sentar no acento que havia ao seu lado e se fazer presente da forma menos discreta possível, para que ela percebesse a coincidência ocorrida. Incomodada com movimentação que se iniciara ao seu lado, Rosa tratou de se desfazer da posição confortante que se encontrava a procura do motivo de tamanha inquietude. Foi então que percebeu a presença de Jorge e instintivamente transmitiu um sorriso indecifrável.
  Sem ao menos ter a chance de transmitir seu espanto com encontro inesperado, as palavras pré sinalizadas de Rosa foram atropeladas por um turbilhão de textos ditos por Jorge de forma descompassada e acelerada, colocando-a no lugar de mera espectadora de um monólogo.
O rapaz falou de seu trabalho, seus problemas pessoais e de coisas que aconteciam em seu cotidiano - na maioria do tempo reclamou de tudo e todos que estavam a sua volta - não permitindo a Rosa sequer uma frase. Ela até tentou se pronunciar uma ou duas vezes, talvez para expor uma palavra de consolo aquele homem aparentemente tão infeliz ou simplesmente para falar algo de sua própria vida. Mas as falas que ela diria nunca serão descobertas, pois antes mesmo de serem iniciadas foram arduamente interrompidas por gestos bruscas de Jorge e pelo aumento de seu tom de voz, que parecia alerta-la a não cometer mais a imprudência de interrompe-lo.
  A viagem durou cerca de quarenta minutos e a mulher permaneceu intacta, imóvel diante do homem que nela metralhava informações que de nada a interessavam.
  Ao chegar em seu ponto, o homem se levantou com ar satisfeito, olhou para Rosa e disse: "- Foi ótimo encontrá-la, espero revê-la mais vezes para termos essas conversas revigorantes."  Rosa olhou em sua direção, iniciou o movimento de abertura da boca para responder a despedida mas ao se dar conta o homem já havia virado as costas, não dando a ela nem a chance de dizer "- Adeus".

  Naquela noite Jorge só precisava de alguém.
  Naquela noite ele estava sozinho como a tantos anos.
  Naquela noite Rosa entendeu o porque da solidão ter se estabelecido na vida de um homem de tão boa aparência e bem sucedido.

  Jorge havia perdido grandes chance de felicidade ao longo da vida e agora, aos cinquenta anos, não se julgava mais digno de encontrá-la. As pessoas apareciam, ele as via, as vivia e ia embora, sem ao menos dá-las a chance de dizer tchau.
 
  Naquela noite Rosa havia sido a sua salvação, e amanhã, quem será?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

No tilintar de xícaras...

   Bem me dizia Luana, em um daqueles raros chás da tarde para os quais eu a convidada a invadir minha mente... Bem me dizia Luana, que por mais que me alertasse, eu mantinha o péssimo hábito de cultivar a auto enganação. Bem me dizia Luana, que mesmo que eu tentasse arduamente me convencer de que o que me ofereciam era o suficiente, o suficiente para mim jamais havia sido oferecido. Também me dizia ela que mera enganação eu cometia ao tentar me igualar aos demais e aceitar defeitos que para mim, definitivamente, eram inaceitáveis. Bem me dizia Luana que a felicidade jamais me seria concedida enquanto eu não assumisse para mim mesma que sonhava alto, queria muito. Muito de mim, muito dos outros. Luana cansou de me alertar da mania que tinha de me contentar com o que me era inferior, cansou de me esfregar na face a síndrome da Madre Tereza.
   Ela realmente tentou.
   Luana era um dos meus poucos momentos de lucidez e ao final de cada chá da tarde sentia que junto dela iam os meus sonhos, a minha aceitação, o meu eu. 
   Eram em encontros como aqueles, que ocorriam com uma frequência não muito definida, que conseguia entrar em contato comigo mesma. Eram em momentos como aqueles que eu me via diante de mim, sem mascaras, sem aspas. 
   E ao se aproximar a despedida, meu coração doia, meu olhos lacrimejavam.
Era o momento de dar adeus a Luana e todas as suas verdades que me pareciam tão minhas. Era o momento de dar adeus a mim. 
   Luana é a mulher que sou e não consigo ver. 

domingo, 12 de junho de 2011

Apenas.

 Fui instigada a escrever e rapidamente corri a procura de papel e lápis. Papel e lápis, duas coisas tão simples. Simples matérias primas básicas para o transmitir de minhas emoções latentes. Eu escrevo, eu penso. Eu sonho. Eu existo. Eu existo de uma forma tão completa e única que nenhum outro ser na sociedade jamais será capaz de me compreender. Serei eu mesma capaz de me compreender? Eu existo. E a minha existência é para mim uma coisa tão única, tão minha. Eu existo e só eu sei o quão incrível sou e por mais que eu passe horas tentando explicar para segundos a grandiosidade de meus pensamento, de nada isso importa. Os meus pensamentos são meus, apenas meus, de mais ninguém. Percebo que tenho grande necessidade de encontrar pessoas para as quais eu possa explicar o turbilhão de emoções que possuo na alma, percebo que ao encontra-las as trato como presentes emitidos a minha existência. Engano meu, engano eu. Enorme presente recebe quem tem o prazer de ser escolhido para desfrutar uma parte mesmo que ínfima de cada sensação que detenho, cada emoção que transbordo. Sou vida, sinto o sangue percorrer minhas veias de uma forma rápida e quente e isso me faz crer que não estou aqui com um único propósito. Viver. Pessoas permitem deixar escapar a essência mais pura da raça com a qual pertencemos. Pessoas cegas resumem suas vidas ao roteiro de um filme. Eu não. Eu jamais farei isso. Eu quero viver todos os filmes, provar de todas os gostos que a vida pode me oferecer, da luxuria ao pudor. Eu quero poder gritar tão alto que minha voz atinja a frequência do ar e me calar tão profundamente ao ponto de ser considerada ser inabitável. Quero viver. Quero conhecer pessoas que me façam bem ao ponto de me alegrarem o semblante e outras que em façam mal ao ponto de me fazerem produzir a literatura mais dramática. Eu quero ser eu. Mesmo se pudesse escolher qualquer outra criatura para habitar a minha existência jamais mudaria de tom. Ninguém além de mim é digno do quão incrível posso ser.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em uma viagem não tão longa...

  Voltava de um lugar bonito, onde tinha visto coisas bonitas. A estrada por onde passava também era bonita e me transmitia uma enorme sensação de paz. Às vezes fechava os olhos e tentava entrar em contato com o meu eu mais intimo, mais misterioso. Passo tanto tempo tentando descobrir onde a minha felicidade esta... em uma casa de praia animada cercada de amigos e música alta, ou quem sabe em um lugar afastado da cidade, onde eu sinta a natureza e respeite nada além de mim, das minhas próprias vontades. Talvez a minha real pergunta seja: com quem a minha felicidade está?
  No caminho eu vinha conversando com alguém sobre coisas cotidianas, relacionamentos, decepções, experiências... Tentava tragar cada palavra transmitida naquela conversa, cada pausa para a respiração.
  Uma frase ganhou mais destaque dentre tantas outras ditas. Uma frase me fez pensar que passei 19 anos da minha correndo atrás de um objetivo inalcançável e provavelmente, mesmo depois dessa revelação assustadora, continuarei fazendo o mesmo. “Você sabe o que quer de um homem? Se sabe, pode ter certeza que quando encontrar não ficará satisfeita. Mulheres nunca estão satisfeitas.” Pensando melhor me dei conta do quanto isso influência diretamente em minha vida. Como assim eu nunca irei encontrar a estabilidade que toda mulher sonha em conquistar? Como viverei infeliz eternamente?
  Creio que o problema não esteja no objeto ou pessoa de nosso desejo. Penso que ao buscar arduamente algo, quando o encontramos, nos provamos capazes de atingir um objetivo que para nós era considerado difícil e isso nos desperta coragem para voar mais alto, sonhar mais alto. Os sonhos mudam e com isso a felicidade passa a não se encontrar mais no que antes a depositávamos. Queremos mais, muito mais. Não do outro, de nós próprias.
Vivemos lutando para provar para nós mesmas que somos capaz de muito, de podemos conseguir muito. E disso realmente somos.
  Mas nem sempre é o muito que nos atrai. Nem sempre é o muito que nos conquista.
  Nem sempre é o muito que realmente queremos.


terça-feira, 19 de abril de 2011

Intimamente, eu.

Não vou deixar nenhuma sensação escapar
Quero-as todas em minhas mãos

Quero a dor mais louca e insuportável que eu for capaz de suportar
Quero também a que não me for suportável a pele
Que me transporte da terra, que me expanda aos céus

Quando for pra chorar, que o meu choro seja o mais alto,
Ensurdecedor, enlouquecedor.
Que meus gritos sejam capazes de transmitir
O pranto mais ardente e agonizante já existente

E que ao pular, eu alcance tamanha velocidade
Que possa sentir o vento acariciando o desgaste da pele
Sacrificada pelos raios da vida

E que ao me apaixonar, eu seja plena
Plena ao ponto de me esquivar de tudo que já aprendi
Interpretando novamente a folha branca
Nua, crua e leve

Peço de volta toda a ingenuidade que um dia me pertenceu
Porque só assim conseguirei manter a inútil esperança
De um dia ser.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Não deixe escapar...

  Estou a dias com uma ideia na cabeça mas ela é daquele tipo que precisa de um bom tempo para amadurecer.
  Essa semana estava saindo da faculdade com a certeza de que não iria voltar para casa de ônibus. Havia falado com meu pai no celular minutos antes e ele tinha me dito que a ponte estava um caos e que de barcas eu reduziria meu tempo de volta a metade. Algumas amigas disseram preferir voltar de ônibus mesmo assim, mas eu tinha a minha opinião formada sobre o assunto, e estava irredutível.
  Fomos todas em direção ao ponto que serve tanto para o ônibus que pegaria para as barcas quanto para o ônibus que elas pegariam para Niterói. Quando chegamos lá nos deparamos com a coisa mais rara do mundo, o ônibus para Niterói, que normalmente demora horas, passa lotado e sem ar. Ele estava ali, parado diante da gente. E o mais incrível é que ele era com ar, poltronas reclináveis e macias e para o espanto de todas nós, estava vazio! Não hesitei nem um segundo e fui rapidamente em direção ao ônibus, contrariando tudo que havia planejado. Quando nos demos conta já estávamos no meio da ponte e o transito estava de dar gosto. Chegamos super rápido.
  Se aquele ônibus tivesse demorado mais cinco minutos eu teria mantido a minha palavra e aguardado as barcas, mas como a coincidência foi tão grande tomei-a como um sinal.
  Esse sinal me fez pensar em quantos outros sinais já devo ter recebido ao longo da vida e deixei-os passar meramente por não tê-los visto ou por vê-los e não me permitir agarrá-los com força total.
  Quantas vezes me faltou coragem para abandonar a estabilidade e me atirar em uma nova experiência por julgá-la arriscada demais...
  Mas o que é o risco em si?
Não seria arriscado demais deixar escapar uma possível chance de felicidade por medo, orgulho ou qualquer outro sentimento existente?
  A vida nos da sinais muito claros e chances indispensáveis de criar uma nova história ou retomar algo especial, e eu, particularmente, cansei de deixar tudo passar.
  Agora é assim, tudo é um sinal positivo até que me provem o contrário.

      Eu estou disposta atender as chamadas. E você?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Pare,

    
    Como conseguimos viver tão calmos tendo a certeza que iremos morrer? Como pulamos, compramos ou comemoramos o aniversário de um, quinze e cinquenta anos, sendo que isso nada mais é do que uma veloz aproximação com a morte? 
  Iremos morrer. 
    Nada aqui é eterno. Nós não somos eternos. Meu Deus, como isso me espanta. Iremos realmente morrer.
    Eu faço planos, me dedico a idealizar um futuro próspero, passo mais tempo sonhando do que realmente vivendo, e pra que? Eu não tenho ao menos a certeza de que o amanhã existirá. Quando será a minha hora? Quando será a hora das pessoas que amo? Nunca saberei, e isso me espanta demais. 
    Às vezes quando deito em meu quarto, no escuro, sozinha, me ponho a pensar em tudo que já vivi e que ainda poderei viver. Penso que mesmo depois da morte, independente de onde eu esteja, gostaria de não esquecer um pedacinho da minha história. Gostaria de lembrar de cada momento que a emoção me tomou por completo e me provou que a carne é viva. Só queria poder lembrar. 
    Sinto medo. Não um medo desesperador que me faz procurar acalento nos braços de mãe. É um medo sutil, talvez uma mistura de medo com melancolia. Vontade de que a vida nunca acabe, que os laços nunca se rompam. Um desejo de eternidade.

    Paisagens, abraços, detalhes. Pense. Pare e pense em cada dia que já viveu, em cada momento que sua memória insiste em perder, em casa momento que a sua memória insiste em lembrar. Pare e pense no porque da vida tomar rumos totalmente imprevisíveis e o quanto isso é bom. Pense no que te faz levitar ao dormir. Pense.

Entorpecente da alma.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um lugar qualquer.


 Trocas de olhares ternos e calmos.
Não existe sonífero mais eficiente que seus braços.
Gargalhadas altas, leves.
Pequenos ensinamentos que permanecerão nas memórias mais nobres de um ser.
E ainda assim, tendo em distância tão curta uma fonte tão límpida de amor, consegue-se torná-la invisível para o coração.
 O que Johnny precisava estava exatamente ali. A completude que todo o seu mundo de fãs e mulheres não o trazia estava em algo muito mais seu do que qualquer outra coisa.
Em meio a uma vida perfeita aos olhos dos que observam de longe, o protagonista vive um conflito interno que apenas a sua filha de 11 anos consegue desvendar. Ele tem tudo, aparentemente, tudo. Mas de que adianta ter tudo quando não se tem nada? De que adianta um belo palácio se não existe uma única companhia para um chá?
  A solidão esta dentro de quem a vive.
 Aquela menina tão pequena conseguiu despertar em um homem a ternura que parecia incapaz de habitar o seu olhar. Aquela menina, que já era sua filha a tanto tempo, conseguiu tocá-lo ao ponto de fazê-lo despertar.
 Momentos inesquecíveis estão em toda parte, prontos para serem vividos.
Basta não virarmos as costas quando a real felicidade acenar.

Sobre o filme: Um lugar qualquer
Diretora: Sofia Coppola

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cartas para Julieta.



 Ontem vi um filme que não fugia em nada das tantas comédias românticas que vemos em cinemas e locadoras. Para uns, bobos, para outros, ótimos, para mim, revelador. Não sei porque, mas de uns tempos pra cá tenho me identificado muito com contos de fadas, mesmo não tendo uma opinião formada em relação a sua autenticidade. Sempre me ponho no lugar da mocinha sofredora que encontra no amor verdadeiro sua uma razão para viver, e essa sim é minha única razão de viver. 
 Estou longe de ser uma menina sem nenhum defeito ou uma mulher exemplo de beleza e garra. Estou longe de ser digna de um daqueles homens com uma beleza estonteante que na maioria das vezes só passa a ser um bom rapaz quando a mocinha o desperta algo surreal. Mas eu queria, eu realmente queria viver um amor daqueles arrebatadores, que não mede consequências e supera qualquer empecilho. 
 É estranho pensar que muitas pessoas passam pela vida sem ao menos conhecer esse sentimento, é estranho pensar que nem todos somos felizardos. O que será que diferencia as pessoas? O que será que torna uma pessoa merecedora de uma experiência tão intensa? Não sei. 
 Apenas sei que este filme me despertou uma imensa vontade de ir para Verona escrever a minha carta para Julieta e deixá-la no muro, como todas as outras mulheres com o coração partido. Quem sabe eu não teria uma resposta?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Minhas mil faces


 Logo eu, tão cheia de ideias prontas e teorias formadas sobre o que é ser correta e independente. Logo eu que sempre me mostrei forte e totalmente auto suficiente nas relações humanas. Logo eu que nunca tive dificuldade para encontrar a felicidades em coisas cotidianas e aparentemente pouco interessantes. Logo eu que sempre superei uma tristeza abrindo a porta pra um mar de alegrias que nunca se negaram a invadir minha vida nos momentos em que mais precisei. Logo eu, tão cativante... Logo eu que sempre gozei de sorrisos indecifráveis e da extrema facilidade em brincar com as palavras, por mais duras que fossem.
  Gargalhadas intermináveis que só terminavam quando a barriga mostrava não mais suportar.
 De onde vinha tudo isso? Pra onde foi toda aquela euforia de viver que parecia tão minha?
 Hoje quando deito, não programo um dia divertido e baseado na comédia dos fatos. Na maioria das vezes passo horas pesando nas novas experiências que ainda viverei e o quanto elas conseguirão tocar a minha alma, me despertar lágrimas. Troquei as risadas desenfreadas por um choro rotineiro e imprevisível, que me acompanha nos momentos menos esperados.
 Se me perguntarem qual das facetas mais me agrada, não exitarei em responder que o comodismo da alegria é bem atraente, mas nada poderia ser mais emocionante do que sentir latente o soluço de um pranto.
 É a maior certeza que já tive de estar viva, é o mais próximo que já consegui chegar de mim mesma. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

A procura do inalcançável



 É incrível a capacidade que os seres humanos tem de se enganar. Traçamos metas, objetivos e lutamos arduamente para conquistá-los. Neles depositamos expectativa e fé. Fé, essa é a palavra. Tenho fé em um mundo melhor, tenho fé que tudo irá da certo, tenho fé que um dia alcançarei a tão almejada felicidade. Mas onde tudo isso se encontra que eu nunca acho?
 Uma certeza eu tenho, dentro de mim não é.
 Em busca da resposta sobre o que há de errado comigo me vieram à tona vários pensamentos, uns que valem a pena serem citados, outros nem isso. Do tempo em que gastei nessa procura por mim mesma, me dei conta de um detalhe curiosamente despercebido até então. Fiz uma lista com todos os projetos e objetivos que pretendo conquistar neste ano e senti que só conseguiria ser feliz após realizar todas aquelas tarefas. Logo em seguida me recordei que no ano anterior também havia feito uma lista parecida, porém mentalmente, e tentei trazer a tona os objetivos que havia posto nela. Lembrei-me de praticamente todos os projetos que pretendia realizar e também de como achava que ao cumprir com todas aquelas metas eu seria 100% feliz. O mais incrível da minha ‘volta ao tempo’ ocorreu logo em seguida, me dei conta que havia conseguido realizar mais de 90% dos itens propostos para o ano de 2010, itens esses que seriam responsáveis pela minha felicidade. E cadê?
 Então quer dizer que eu deixei a minha felicidade na mão de meia dúzia de ‘irresponsáveis itens’ de uma lista de inicio de ano e eles nem se quer cumpriram o combinado? Pelo que me recordo era pra eu estar plenamente feliz agora, já que consegui realizar a tal lista, porém não estou. Cá estou eu novamente, fazendo uma outra lista, depositando na mão de novos projetos a minha própria felicidade.
 Por quanto tempo viverei depositando a minha felicidade em coisas que podem ou não se realizar?
 Preciso seriamente repensar sobre meus atos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Que venha 2011...


 É Ano Novo. Enfim 2011 chegou para nos livrar de todos os carmas que nos acompanharam em 2010. É como se chegasse o momento tão esperado onde podemos jogar fora tudo que nos fez sofrer e usufruir de uma nova chance. Chance de mudar. Ano novo, vida nova. Não é isso que dizem? Mas porque exatamente no dia 31 de dezembro na meia noite?
  Essa coisa toda de fogos de artifício, roupa branca e brindes pela paz mexem com o imaginário humano. Confesso que me deixo tomar pelo espírito de união e alegria que esta data proporciona, mas me obrigo a ter certas reflexões a cerca do que sinto neste momento.
  Quando penso no ano que deixei pra trás me vem um misto de sensações que eu jamais conseguiria explicar. Foi um ano de perdas e ganhos, como todos, e hoje paro para analisar o que poderia ser diferente. Nada. Nada poderia acontecer de forma diferente. Cada erro cometido, cada provação enfrentada e cada decepção sofrida faz parte do que me tornei hoje.
  Pensando sobre tudo que vivi chego a conclusão que o ano novo não é uma chance que nos dão para começar a trilhar um novo caminho. O ano novo não passa de um momento em que tudo conspira para que a gente pare e reflita sobre as nossas atitudes, sobre o que desejamos para nossas vidas e como podemos agir para conquistar o que nos é de direito.
  Ontem ao conversar com o pai de uma amiga ele disse algo que me fez refletir. Falávamos do prazer de sermos chamados pelo nome e na diferença de tratamento que vemos em um restaurante quando simplesmente nos referimos a um garçons pelo seu primeiro nome. Em meio a esta conversa ele perguntou se eu me sentia bem sendo chamada de Laura, eu me disse que sim, que sentia como se a minha identidade fosse realmente reconhecida, uma sensação extremamente confortável. E então ele me disse: Não acha que deveríamos proporcionar aos outros a mesma sensação de prazer que nos é proporcionada?
  Isso ficou na minha cabeça durante muito tempo e é exatamente o que o ano novo significa para mim. Um momento de pensar em quem quero me tornar. Em que tipo de frutos quero colher para poder começar a semeá-los ao próximo.
  Se pra mim forem necessários cinco anos novos por ano, não importa. O importante é a vontade que temos de nos tornarmos melhores. Então nesse ano, vamos olhar menos para o céu. Vamos olhar menos para o que esta em nossa volta e nos dedicar mais a observar o que esta dentro da gente. Vamos dar valor a cada atitude de amor que direcionam a nós e buscar retribui-la naturalmente. Não existe nada no mundo que mereça mais atenção!

Feliz 2011 para todos! (: