São duas horas da manhã e a minha cabeça parece não respeitar o meu cansaço físico. Por mais que eu faça uso de toda força, cerrar os olhos se torna totalmente inútil. Pensamentos me tomam tão rapidamente que tentar acompanhá-los tornou-se uma guerra. É como uma batalha que travo comigo mesma em busca de me compreender melhor.
Não, a minha mente não tem folga. A minha mente não me da folga.
Seria muito luxo pedir um pouco de férias de mim mesma? Todos dizem: “cansei do meu pai, estou de saco cheio da minha mãe ou não aguento mais meu namorado...” Eu cansei de mim, e ai?
Não vejo pra onde correr. Eu e minha cabeça sim, temos o único casamento eterno que acredito existir. E mesmo sabendo dessa convivência contínua e irrevogável a minha companheira não faz a menor questão de manter a cordialidade na relação.
Não contentado em me atormentar incessantemente, o meu pensamento ainda consegue fazer pior, ele se supera. Gosta de surgir da forma mais embaralhada possível, apenas para me dar mais trabalho em decodificá-lo.
Ele deve pensar (pensamento pensa? Não entrarei nessa questão): “Já que essa menina não faz nada da vida, vou ajudá-la. Farei o favor de aparecer da forma mais confusa possível, para dar a ela uma atividade diária. Afinal, coitadinha, não faz nada...”
E tem mais, tenho pra mim que esqueceram de ensinar qualquer tipo de cronologia ou sentido para a minha cabeça.
Estou pensando no dia anterior e de repente me pego pensando na moda feminina atual e quando me dou conta já estou com a cabeça e, alguma das muitas coisas bizarras que vejo pela rua.
Exatamente assim, sem possuir nenhum tipo de virgula ou ponto. Parágrafo então é coisa de outro mundo.
Sem contar que não existe nenhuma, mesmo que mínima, pausa para respiração. Afinal, infelizmente pensamento não respira. O que piora o meu problema.
Preciso urgentemente de um tempo de mim!
Mas como sei que não o terei, tentarei dormir.
Até porque, já são quase três horas da manhã e ai contrário do que minha cabeça acredita tenho muitas coisas pra fazer ainda.
Boa noite.
Texto escrito no dia 17/09/2010

