quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Se existe alguém contra esta união, por favor, manifeste-se.


 São duas horas da manhã e a minha cabeça parece não respeitar o meu cansaço físico. Por mais que eu faça uso de toda força, cerrar os olhos se torna totalmente inútil. Pensamentos me tomam tão rapidamente que tentar acompanhá-los tornou-se uma guerra. É como uma batalha que travo comigo mesma em busca de me compreender melhor.

  Não, a minha mente não tem folga. A minha mente não me da folga.

  Seria muito luxo pedir um pouco de férias de mim mesma? Todos dizem: “cansei do meu pai, estou de saco cheio da minha mãe ou não aguento mais meu namorado...” Eu cansei de mim, e ai?

  Não vejo pra onde correr. Eu e minha cabeça sim, temos o único casamento eterno que acredito existir. E mesmo sabendo dessa convivência contínua e irrevogável a minha companheira não faz a menor questão de manter a cordialidade na relação.

  Não contentado em me atormentar incessantemente, o meu pensamento ainda consegue fazer pior, ele se supera. Gosta de surgir da forma mais embaralhada possível, apenas para me dar mais trabalho em decodificá-lo.

  Ele deve pensar (pensamento pensa? Não entrarei nessa questão): “Já que essa menina não faz nada da vida, vou ajudá-la. Farei o favor de aparecer da forma mais confusa possível, para dar a ela uma atividade diária. Afinal, coitadinha, não faz nada...”

  E tem mais, tenho pra mim que esqueceram de ensinar qualquer tipo de cronologia ou sentido para a minha cabeça.

  Estou pensando no dia anterior e de repente me pego pensando na moda feminina atual e quando me dou conta já estou com a cabeça e, alguma das muitas coisas bizarras que vejo pela rua.
  Exatamente assim, sem possuir nenhum tipo de virgula ou ponto. Parágrafo então é coisa de outro mundo.

  Sem contar que não existe nenhuma, mesmo que mínima, pausa para respiração. Afinal, infelizmente pensamento não respira. O que piora o meu problema.

  Preciso urgentemente de um tempo de mim!

  Mas como sei que não o terei, tentarei dormir.
  Até porque, já são quase três horas da manhã e ai contrário do que minha cabeça acredita tenho muitas coisas pra fazer ainda.


    Boa noite.

Texto escrito no dia 17/09/2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Angústia do saber.


  Me enganei? Como assim? Era tão obvio para mim o que se passava naquela sala. Como posso simplesmente ter confundido tudo? Parecia-me tão singular. Como pode existir outra interpretação para aquela cena, para aquele momento? E se existia, como pude ser tão cega a ponto de não vê-la?

  Frequentemente tenho passado por intensas crises de dúvidas.
Crises essas que vem me enlouquecendo a ponto de me impedir de viver momentos com intensidade.

  Sou a única que perco horas do meu dia pensando que posso estar confundindo tudo em relação a tudo? Cheguei a pensar que um sorriso aparentemente sincero e confortável poderia ser apenas uma tentativa de ironia indireta. Assustem-se.

  Tento achar uma única explicação plausível para este momento. Insegurança, medo e proteção. São as únicas coisas consigo imaginar.

  Talvez traumas e confusões do passado tenham me tornado uma pessoa mais fria, com grande dificuldade de entrega a qualquer tipo de relação. O medo de uma nova decepção é tão assustador que me impede de tentar. O instinto de autoproteção grita na tentativa de sufocar qualquer vestígio de um possível tombo. Não adianta, as quedas fazem parte da vida, evitá-las é mera perda de tempo.

  Ah, o coração. Por mais que sejamos a racionalidade em pessoa, nada consegue detê-lo. É incrível como temos a capacidade de achar que somos Deus. Eu por exemplo tenho um enorme-péssimo habito de acreditar que só por estar ciente de uma possível desilusão estou evitando-a. Sei que chega a ser engraçado, talvez até um tanto hipócrita.

  Saber do risco não significa não corrê-lo. O envolvimento ocorre independente de qualquer alerta prévio. E se algo der errado vem à tona o inevitável momento ‘do tombo’, que tanto se tentou evitar.

  Ele chega muitas vezes fortalecido pela tentativa frustrada de proteção. Tudo que foi formulado sobre possíveis acidentes de percurso parece não bastar. A decepção se junta à raiva por não conseguir responder da forma esperada a tal situação. Cobrança. Desilusão. Queda.

  Não seria melhor então ter vivido cada momento, mesmo que ilusório, com a maior intensidade? Já que cair me parece inevitável...
  Talvez o sofrimento fosse até menor pos a cobrança se ausentaria do pacote de ‘morte completa’. Ao menos podería usar a desculpa de ter acreditado em tudo cegamente.

  O que fazer?

  Certas dúvidas têm me corroído a alma.
  O que mais me assusta é pensar: ‘já sofri muito além disso, e sobrevivi.’
  Aqui estou novamente cometendo o mesmo erro.
  Achando que uma única coisa pode ser a mais importante da minha vida. Sendo que a vida já me provou que nada é eterno e que toda tristeza um dia vira risada.

  Definitivamente eu não me entendo.

Quero apenas me envolver.
Quero levar tudo e todos as ultimas consequências.
Quero sofrer tudo que for destinado a minha existência.
Quero viver sem essa capa protetora que me impede de voar.

  Eu quero amar.