Logo eu, tão cheia de ideias prontas e teorias formadas sobre o que é ser correta e independente. Logo eu que sempre me mostrei forte e totalmente auto suficiente nas relações humanas. Logo eu que nunca tive dificuldade para encontrar a felicidades em coisas cotidianas e aparentemente pouco interessantes. Logo eu que sempre superei uma tristeza abrindo a porta pra um mar de alegrias que nunca se negaram a invadir minha vida nos momentos em que mais precisei. Logo eu, tão cativante... Logo eu que sempre gozei de sorrisos indecifráveis e da extrema facilidade em brincar com as palavras, por mais duras que fossem.
Gargalhadas intermináveis que só terminavam quando a barriga mostrava não mais suportar.
De onde vinha tudo isso? Pra onde foi toda aquela euforia de viver que parecia tão minha?
Hoje quando deito, não programo um dia divertido e baseado na comédia dos fatos. Na maioria das vezes passo horas pesando nas novas experiências que ainda viverei e o quanto elas conseguirão tocar a minha alma, me despertar lágrimas. Troquei as risadas desenfreadas por um choro rotineiro e imprevisível, que me acompanha nos momentos menos esperados.
Se me perguntarem qual das facetas mais me agrada, não exitarei em responder que o comodismo da alegria é bem atraente, mas nada poderia ser mais emocionante do que sentir latente o soluço de um pranto.
É a maior certeza que já tive de estar viva, é o mais próximo que já consegui chegar de mim mesma.

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