terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Lápis, papel... eu

Há quem diga que escrever é como buscar um álibe, uma válvula de escape ou uma fuga da realidade. Há quem diga que escrever é como criar um mundo próprio e utópico, é poder dar vida a sonhos, a delírios, a devaneios. Há quem diga que escrever é como consumir pequenas doses de sedativos. Diminuindo a dor do dia a dia, anestesiando o coração.

Pra mim, escrita é busca. Busca por entendimento, compreensão. Busca por respostas. É a forma que tenho de externar meus maiores segredos, meus menores medos, meus piores pecados.

Talvez escrevendo eu possa me ver como um papel
Talvez assim eu consiga me enxergar
Talvez um dia eu aprenda a me julgar.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

De olhos abertos

Quando eu era mais nova, tendia muito a gostar de desafios. Adorava o desconhecido, o enigmático - talvez exatamente por não encontrar obstáculos na vida, resolvia eu mesma os criar. Quanto mais misteriosa a pessoa, mais atraente se tornava. E era sempre a mesma história, cada passo dado uma nova incerteza, um novo estímulo, uma nova provação - que muitas vezes resultava em decepção.
Estreitar relações é como pisar em nuvens, elas podem ser macias o suficiente para te acolher, ou frágeis o suficiente para te deixar tombar.
E hoje, observando os laços que construo, vejo como o tempo nos faz mudar.
O que me atrai agora é o exato oposto. Busco coisa sólida, palpável.
Quero pisar em terra firme sem chances de desabamento.

Afinal, já são tantas provações que temos que enfrentar...
Saber quem é quem se tornou crucial.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Em busca de mim

Chega uma hora na vida que a gente percebe que mudanças realmente existem e, quando nos damos conta, nossas roupas não são mais as mesmas, nossas músicas não são mais as mesmas, nossas saudades não são mais as mesmas.
Chega uma hora que a gente começa a perceber que a preguiça não é simplesmente um ato de comodismo, e sim um sinal de onde o nosso corpo não quer estar.
Convenhamos, ninguém tem preguiça de ser feliz. Ninguém tem preguiça do que faz feliz.
Chega uma hora que a gente cansa. Cansa de procurar o nosso lugar, seja em uma casa, uma sociedade ou em um grupo de amigos. E, sinceramente, isso está longe de ser preguiça. É apenas o início de um entendimento.
De que não adianta buscar, se não nos conhecemos o suficiente para saber o que queremos encontrar?

domingo, 11 de agosto de 2013

De volta pra casa...

É, chegou o dia da reestreia. Dia de levantar da cama, abrir as janelas e encarar a vida real. Depois de tantos meses, tantos sonhos... O que dizer?
Hoje me peguei sentada no quarto e, sem que eu me desse conta, a minha mente voada. Quando vi, estava ali, parada, com lágrimas nos olhos assistindo a um filme da minha própria vida. Nele as cenas se passavam rápidas como em um treiler. Lugares, faces, risadas, fotos... sonhos. Músicas que embalavam dias quentes e frios, conversas, amores, loucuras... memórias. Memórias de uma história escrita por mim. Uma história com a minha cara em seus pontos fracos e fortes. Uma história com a minha trilha sonora.
É, essa cidade que me viu sorrir, chorar, gritar e falar baixinho. Onde eu dancei, me joguei, me apaixonei e me reinventei. Onde eu me libertei.
Ah Londres, quem diria... nesse lugar onde por tantas vezes andei perdida, acabei por me encontrar.
Então hoje, nesse novo recomeço, só me resta olhar para trás e agradecer a cada um que fez parte dessa experiência que, sem dúvidas, foi a experiência mais incrível da minha vida. Obrigada aos que deixaram marcas na minha história e no meu coração, cada um de vocês me ensinou uma lição que levarei comigo pra onde eu for.

Ah, e não esqueçam: a vida é só uma só.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Só 20 centavos

Parece contraditório, brasileiros que optaram por morar fora do país se reunindo em prol de algo que está acontece a quilômetros de distância de nós.
Para uns pode até parecer hipocrisia, mas ontem, por volta das 17h, cerca de 2 mil brasileiros foram as ruas. O motivo? Apoiar os manifestos ocorridos no Brasil contra o aumento das passagens (se é que um motivo era realmente necessário). Tantas lembranças me levam a crer que manifestações deveriam estar ocorrendo diariamente a no mínimo 50 anos...
O fato é, protestar contra o que?
Eu, particularmente, acho que a população ficou tanto tempo sem por a cara na rua, sem aderir a uma causa ou lutar para validar seus próprios direitos, que, nesse manifesto, os gritos vão muito além de reivindicações por redução no valor de passagens. É o grito do povo, um som que estava abafado por anos dentro das conversas familiares, dos papos de bar ou dos textos utópicos. O povo quer falar. E eu, estando longe e observando tudo que aconteceu ontem, nesse país tão distante do meu, começo a entender o porque de muitos brasileiros saírem de suas casas, deixarem suas famílias, para tentar viver a vida em outro lugar.
A questão está muito além de 20 centavos.

O POVO QUER RESPEITO!


segunda-feira, 10 de junho de 2013

De pés no chão

É impressionante como só percebemos que nossa vida mudou quando começamos a sentir falta da rotina. Descobrir, conhecer e desbravar novos territórios é algo realmente gratificante - mas, venhamos e convenhamos, ninguém vive de turismo, ninguém será eternamente um turista! Eu sei, é difícil assumir, mas a rotina tem lá seu valor. Quem nunca contou os dias para o inicio das férias escolares e quando elas enfim chegaram, bastou passar o primeiro mês para dar início aos planos a respeito de qual material usar no tão esperado primeiro dia de aula? Eu era mestra nisso, rs. A pessoa pode morar no Brasil, em Paris ou na Guatemala, uma hora ela simplesmente vai querer exercer as mesmas atividades que preenchiam o seu dia a dia, vai querer ser ela mesma... Eu tenho sentido saudade da minha vida, saudade de mim. E o mais legal disso tudo é perceber que por ser "a minha vida", eu posso levá-la para qualquer lugar, como uma bagagem de mão que nem pesa nas costas. E foi o que resolvi fazer. Quero acordar e comer biscoito cream cracker com chá verde, almoçar quando der tempo e correr ao entardecer. Quero ler um pouco antes de dormir, ver um filme debaixo das cobertas aos domingo e conversar sobre as complexidades do mundo com um amigo. Enfim, quero ser eu, e quero agora! Por isso estou aqui, calçando meu tênis, colocando uma música alta e indo rumo ao desconhecido. Estou indo me encontrar. Afinal, a única coisa que mudou foi a vista, de praia de Icaraí para Wimbledon Park. De resto, eu continuo sendo exatamente a mesma, sem tirar nem por.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Dívida alimentar


  É impressionante o que uma pessoa tem a te oferecer, ou a te tirar. Pensar que cada indivíduo circulando no mundo, sentado ao seu lado no ônibus ou esbarrando em você ao atravessar a rua, possui total capacidade de impactar a sua vida, a sua existência, a sua história... Apavorante!
  Dentro de cada um de nós existe uma incrível e complexa máquina, e dela surgem todas as emoções, sensações e histórias de vida. Memórias mal formuladas que eu já cansei de tentar entender de onde vem.
  Cabe a nós decidir o que fazer com a nossa máquina.

  Livre arbítrio. Direito concedido. Escolhas. Consequências.

  Podemos deixá-la sem combustível, alimentando-a apenas do básico para que continue exercendo suas funções vitais.

Alma alienada. Estado vegetativo do ser.

  Ou podemos dar a ela gasolina aditivada, que como sabemos, custa caro. E nem todos estão dispostos a pagar.

Escolhas. Livres escolhas. Suas escolhas. Sua vida.

  Eu optei por me endividar.
  Darei a minha máquina o que existir de mais moderno no mercado. A alimentarei de ideias e lembranças, de situações embaraçosas e intrigantes. A alimentarei de contos mal contados e de histórias sem final. Não só as minhas, claro, mas sim a dos outros, a de todos os outros. Sugarei o máximo dos livros que ler, dos amores que viver e das pauladas que levar. Quero escutar histórias de vida. Histórias vivas. Quero me sentir viva.
  Pode ser algo triste, não importa, eu quero saber. E mesmo sabendo que o preço será alto, eu estou disposta a pagar. E você?
  Tem algo para dividir? Uma aflição, um medo? Vamos lá, pode me contar. Se abra para mim. Se feche para mim. Não importa, eu quero tentar. 

 Quero tentar entender a incrível complexidade que é viver sendo você. 
 Sem que para isso eu precise deixar de ser eu.