Essa semana estava saindo da faculdade com a certeza de que não iria voltar para casa de ônibus. Havia falado com meu pai no celular minutos antes e ele tinha me dito que a ponte estava um caos e que de barcas eu reduziria meu tempo de volta a metade. Algumas amigas disseram preferir voltar de ônibus mesmo assim, mas eu tinha a minha opinião formada sobre o assunto, e estava irredutível.
Fomos todas em direção ao ponto que serve tanto para o ônibus que pegaria para as barcas quanto para o ônibus que elas pegariam para Niterói. Quando chegamos lá nos deparamos com a coisa mais rara do mundo, o ônibus para Niterói, que normalmente demora horas, passa lotado e sem ar. Ele estava ali, parado diante da gente. E o mais incrível é que ele era com ar, poltronas reclináveis e macias e para o espanto de todas nós, estava vazio! Não hesitei nem um segundo e fui rapidamente em direção ao ônibus, contrariando tudo que havia planejado. Quando nos demos conta já estávamos no meio da ponte e o transito estava de dar gosto. Chegamos super rápido.
Se aquele ônibus tivesse demorado mais cinco minutos eu teria mantido a minha palavra e aguardado as barcas, mas como a coincidência foi tão grande tomei-a como um sinal.
Esse sinal me fez pensar em quantos outros sinais já devo ter recebido ao longo da vida e deixei-os passar meramente por não tê-los visto ou por vê-los e não me permitir agarrá-los com força total.
Quantas vezes me faltou coragem para abandonar a estabilidade e me atirar em uma nova experiência por julgá-la arriscada demais...
Mas o que é o risco em si?
Não seria arriscado demais deixar escapar uma possível chance de felicidade por medo, orgulho ou qualquer outro sentimento existente?
A vida nos da sinais muito claros e chances indispensáveis de criar uma nova história ou retomar algo especial, e eu, particularmente, cansei de deixar tudo passar.
Agora é assim, tudo é um sinal positivo até que me provem o contrário.
Eu estou disposta atender as chamadas. E você?
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