sexta-feira, 25 de março de 2011

Não deixe escapar...

  Estou a dias com uma ideia na cabeça mas ela é daquele tipo que precisa de um bom tempo para amadurecer.
  Essa semana estava saindo da faculdade com a certeza de que não iria voltar para casa de ônibus. Havia falado com meu pai no celular minutos antes e ele tinha me dito que a ponte estava um caos e que de barcas eu reduziria meu tempo de volta a metade. Algumas amigas disseram preferir voltar de ônibus mesmo assim, mas eu tinha a minha opinião formada sobre o assunto, e estava irredutível.
  Fomos todas em direção ao ponto que serve tanto para o ônibus que pegaria para as barcas quanto para o ônibus que elas pegariam para Niterói. Quando chegamos lá nos deparamos com a coisa mais rara do mundo, o ônibus para Niterói, que normalmente demora horas, passa lotado e sem ar. Ele estava ali, parado diante da gente. E o mais incrível é que ele era com ar, poltronas reclináveis e macias e para o espanto de todas nós, estava vazio! Não hesitei nem um segundo e fui rapidamente em direção ao ônibus, contrariando tudo que havia planejado. Quando nos demos conta já estávamos no meio da ponte e o transito estava de dar gosto. Chegamos super rápido.
  Se aquele ônibus tivesse demorado mais cinco minutos eu teria mantido a minha palavra e aguardado as barcas, mas como a coincidência foi tão grande tomei-a como um sinal.
  Esse sinal me fez pensar em quantos outros sinais já devo ter recebido ao longo da vida e deixei-os passar meramente por não tê-los visto ou por vê-los e não me permitir agarrá-los com força total.
  Quantas vezes me faltou coragem para abandonar a estabilidade e me atirar em uma nova experiência por julgá-la arriscada demais...
  Mas o que é o risco em si?
Não seria arriscado demais deixar escapar uma possível chance de felicidade por medo, orgulho ou qualquer outro sentimento existente?
  A vida nos da sinais muito claros e chances indispensáveis de criar uma nova história ou retomar algo especial, e eu, particularmente, cansei de deixar tudo passar.
  Agora é assim, tudo é um sinal positivo até que me provem o contrário.

      Eu estou disposta atender as chamadas. E você?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Pare,

    
    Como conseguimos viver tão calmos tendo a certeza que iremos morrer? Como pulamos, compramos ou comemoramos o aniversário de um, quinze e cinquenta anos, sendo que isso nada mais é do que uma veloz aproximação com a morte? 
  Iremos morrer. 
    Nada aqui é eterno. Nós não somos eternos. Meu Deus, como isso me espanta. Iremos realmente morrer.
    Eu faço planos, me dedico a idealizar um futuro próspero, passo mais tempo sonhando do que realmente vivendo, e pra que? Eu não tenho ao menos a certeza de que o amanhã existirá. Quando será a minha hora? Quando será a hora das pessoas que amo? Nunca saberei, e isso me espanta demais. 
    Às vezes quando deito em meu quarto, no escuro, sozinha, me ponho a pensar em tudo que já vivi e que ainda poderei viver. Penso que mesmo depois da morte, independente de onde eu esteja, gostaria de não esquecer um pedacinho da minha história. Gostaria de lembrar de cada momento que a emoção me tomou por completo e me provou que a carne é viva. Só queria poder lembrar. 
    Sinto medo. Não um medo desesperador que me faz procurar acalento nos braços de mãe. É um medo sutil, talvez uma mistura de medo com melancolia. Vontade de que a vida nunca acabe, que os laços nunca se rompam. Um desejo de eternidade.

    Paisagens, abraços, detalhes. Pense. Pare e pense em cada dia que já viveu, em cada momento que sua memória insiste em perder, em casa momento que a sua memória insiste em lembrar. Pare e pense no porque da vida tomar rumos totalmente imprevisíveis e o quanto isso é bom. Pense no que te faz levitar ao dormir. Pense.

Entorpecente da alma.