segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Idealismo Ingênuo.

 É incrível a sua mania de medir atos. É incrível como ela gosta de controlar fatos. Olha, observa, julga. Cobra de si como se houvesse assinado um contrato de perfeição com Deus. Ela tolera. Aprendeu desde pequena a suportar todo e qualquer sofrimento como um segredo a ser zelado com cuidado. Só o expõe em seus momentos mais quietinhos, através de um choro baixo. Ela tem força, mas poucos conseguiram perceber o quão frágil é seu coração. Ela tenta desvendar os mistérios da alma alheia e ainda se choca com a capacidade de frieza que possui o ser humano. Ela grita. Tenta esconder sua revolta e sua raiva, mas infelizmente não possui o dom da falsidade. Ela se decepciona, porque como toda boa idealista, sempre espera do mundo mais do que ele tem a oferecer. Ela segue a diante. Levanta a cabeça e tenta encontrar em si própria o valor que a maioria não consegue enxergar, mas que ela definitivamente possui. Ela pede ajuda. Porque como todos que a cercam, possui fraquezas inevitáveis. Ela sonha. Acredita realmente poder tocar o coração das pessoas com o seu amor e atenção. Ela chora. Porque nesse momento sente que nada do que faça ou fale será capaz de curar seu coração.


 Ela sofre... 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A prisão dos meus sonhos.


 Seja em um carrinho acompanhado da zelosa mãe, ou aos cuidados do pai, que na praia o ajuda em suas primeiras tentativas de conquistar o tão sonhado equilíbrio, a bicicleta sem rodinhas.
 Vezes paro. Vezes brinco, expondo sutilmente um sorriso. Ou simplesmente olho.
Sinto-me possuidora de um olhar intrigado, que apesar de discreto transmite em seu brilho feixes de admiração, inveja, saudade.
Ao pensar que tudo aquilo um dia já me pertenceu. Aquela imensidão de pureza e sinceridade. Aquela imensidão de beleza indiscutível e impiedosa.
 Como pude deixar que tudo aquilo me escapasse? Era tudo tão meu, era tudo tão eu.
 Hoje, ao fitar fotos de minha infância, recordo nitidamente o significado da palavra plenitude. Não apenas dela como de alegria, simplicidade, segurança e paz. São tantos os adjetivos que eu concederia apenas a uma criança...
 Recordo-me vagamente dos dias de férias em que eu ia visitar a minha avó. Eu era dona de um único objetivo, que encarava como uma missão a ser trabalhada e conquistada. Convencê-la a me levar até a papelaria após o almoço, era esse o meu sonho infantil -queria eu possuir sonhos dessa natureza hoje. Nos meus dias de êxito caminhávamos em direção a tão esperada loja. Eu obviamente dona de uma euforia indescritível. Contava segundos para chegarmos ao destino e, ao alcançá-lo, sinto que meus olhos brilhavam como rios inundados de cores e sonhos. Em pensar que meia dúzia de canetinhas coloridas despertavam a minha alegria durante dias. Nada mais era necessário. Eu tinha o mundo em minhas mãos, tinha o sonho em minhas mãos.
 E hoje? E agora? Agora mal sei o que quero e nas raras vezes que descubro pareço não me dedicar a conquistá-lo. Agora espalho sorrisos quando minha real vontade é chorar, distribuo bom dia quando desejo gritar, me declaro feliz quando a única certeza que tenho em relação à felicidade é que não a possuo. E é por isso que invejo uma criança.
 Invejo-a por tão se preocupar com a opinião alheia. Invejo-a por se dedicar tão pouco a aparência e com isso conseguir atrair os maiores olhares de admiração. Invejo-a por não necessitar mentir como forma básica de sobrevivência e por ser dona de uma sinceridade tão inata que pouca causa danos as suas vitimas.
 As crianças são um presente. São a prova de que é possível ser limpo e não deixar de ser fascinante. São a prova de que não são comportamentos perfeitos e estereotipados que atraem olhares. São a prova de que a teoria do amor próprio funciona, provando que quanto mais nos amamos e buscamos a felicidade interna, mais somos capazes de atrair e fazer outras pessoas felizes.   
 Nesse momento tento aprender com um deles uma lição básica para a minha existência, a proteção. Quero conseguir ser como uma criança que, ao perceber que alguém ou algo a causa sofrimento e dor, instintivamente se afasta, buscando evitar qualquer sentimento que possa comprometer sua paz. Para muitos pode aparentar um ato frito ou de extrema praticidade, mas não. É um ato no mínimo muito sábio, um ato de aceitação.
 Conforme fui crescendo passei a submeter a tudo que me faz sofrer. Sinto que ao permitir que uma lagrima se perca em minha face estou estabelecendo uma relação de total dependência com a causa de tal magoa.  Romper esta relação é como romper a ligação de um dependente químico com a droga. Independente da consciência do sofrimento acarretado, estabelecer um ponto final é extremamente difícil. E por que nos colocarmos em tal situação? Por que uma realidade tão limitada? Pra que sofrer? Não seria muito mais sensato adquirir o comportamento de uma criança e evitar que a causa dos nossos problemas se aproximem? Pra que tentarmos incessantemente equilibrar emoções sendo que podemos banir tudo de negativo que nos cerca sendo o que somos no intimo?
 Acho que todos nós deveríamos dedicar mais tempo valorizando o que há de especial em cada dia, cada momento que compõe a nossa história, assim como faz uma criança. Assim talvez conseguiríamos alcançar o tão sonhado sonho dos adultos, a liberdade. Liberdade essa que hoje em dia é meramente ilusória.
 Porque venhamos e convenhamos, conseguimos ser mais prisioneiros do que um ser dependente do próximo para realizar atividades básicas como comer.
 Somos prisioneiros de nós mesmos.

 Onde estamos querendo chegar?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Por apenas um segundo.

- Não, não dá mais. Jamais conseguiria mudar isso por qualquer pessoa que seja. Impossível, entendeu? É totalmente impossível pra mim. Mesmo que eu queira... E quer saber? Eu nem sei se eu quero. Ou quero? Enfim, acabou. É isso mesmo, não existe mais solução plausível para um dilema deste tipo. Já chega. Chega.

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Por um segundo ela se sentiu em um monologo cuja o espectador não passava de uma ingênua vitima implorando por sua participação especial no espetáculo. Por um segundo ela se pegou dizendo coisas totalmente simples com tamanha redundância e brutalidade. Por um segundo ela se deu conta que tudo aquilo não passava de uma palestra regida por ela para ela própria, com o objetivo de fazê-la crer que realmente poderia romper tão facilmente um laço de amor.

Por um segundo ela achou que conseguiria sozinha.
Por um segundo ela achou que seria capaz.
Por um segundo ela se deu conta do quanto seria triste possuir a frieza que não a pertence. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Impotência.


Não sei se algum de vocês já passou por isso, mas sabe quando pisam no seu calo? Quando mexem com o seu bem mais precioso, o seu segredo mais confidencial ou o seu objeto mais adorado? Pior ainda, quando mexem com um ser muito amado e o sentimento de revolta domina nossos olhos nos tornamos leões em defesa de sua cria.

Lutamos por justiça.
Buscamos culpados.

 É isso que me peguei fazendo hoje. Buscando culpados.

 Ter a quem culpar de certa forma é confortante, nos da força pra lutar por uma justiça digna. Não achar culpados expande o meu sentimento de inconformismo e dor. Passo a descrer da vida, passo a descrer de Deus.

 Um dia minha vida mudou, foi o dia em que ganhei o primeiro dos três presentes que Deus me deu.
 E se um dia eu fui sozinha, deixei de ser quando ganhei vocês.
 E se algum dia o egoísmo me possuiu, com vocês aprendi o que é extrema doação.

 Sinto-me em pedaços ao pensar que alguma dor os aflige e os atormenta. É como se parte de mim estivesse ligada diretamente a vocês e cada dor que os tocasse me atingisse em cheio. Sinto que o instinto de proteção nasceu em mim junto com o nascimento de cada um.

Eu amo tanto.
Eu sofro tanto os vendo sofrer.
Eu queria tanto poder fazer algo pra impedir.
Eu queria tanto estar no seu lugar.

 Impotência,
O pior sentimento que há no mundo.
O pior sentimento que há em mim.