segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Idealismo Ingênuo.

 É incrível a sua mania de medir atos. É incrível como ela gosta de controlar fatos. Olha, observa, julga. Cobra de si como se houvesse assinado um contrato de perfeição com Deus. Ela tolera. Aprendeu desde pequena a suportar todo e qualquer sofrimento como um segredo a ser zelado com cuidado. Só o expõe em seus momentos mais quietinhos, através de um choro baixo. Ela tem força, mas poucos conseguiram perceber o quão frágil é seu coração. Ela tenta desvendar os mistérios da alma alheia e ainda se choca com a capacidade de frieza que possui o ser humano. Ela grita. Tenta esconder sua revolta e sua raiva, mas infelizmente não possui o dom da falsidade. Ela se decepciona, porque como toda boa idealista, sempre espera do mundo mais do que ele tem a oferecer. Ela segue a diante. Levanta a cabeça e tenta encontrar em si própria o valor que a maioria não consegue enxergar, mas que ela definitivamente possui. Ela pede ajuda. Porque como todos que a cercam, possui fraquezas inevitáveis. Ela sonha. Acredita realmente poder tocar o coração das pessoas com o seu amor e atenção. Ela chora. Porque nesse momento sente que nada do que faça ou fale será capaz de curar seu coração.


 Ela sofre... 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A prisão dos meus sonhos.


 Seja em um carrinho acompanhado da zelosa mãe, ou aos cuidados do pai, que na praia o ajuda em suas primeiras tentativas de conquistar o tão sonhado equilíbrio, a bicicleta sem rodinhas.
 Vezes paro. Vezes brinco, expondo sutilmente um sorriso. Ou simplesmente olho.
Sinto-me possuidora de um olhar intrigado, que apesar de discreto transmite em seu brilho feixes de admiração, inveja, saudade.
Ao pensar que tudo aquilo um dia já me pertenceu. Aquela imensidão de pureza e sinceridade. Aquela imensidão de beleza indiscutível e impiedosa.
 Como pude deixar que tudo aquilo me escapasse? Era tudo tão meu, era tudo tão eu.
 Hoje, ao fitar fotos de minha infância, recordo nitidamente o significado da palavra plenitude. Não apenas dela como de alegria, simplicidade, segurança e paz. São tantos os adjetivos que eu concederia apenas a uma criança...
 Recordo-me vagamente dos dias de férias em que eu ia visitar a minha avó. Eu era dona de um único objetivo, que encarava como uma missão a ser trabalhada e conquistada. Convencê-la a me levar até a papelaria após o almoço, era esse o meu sonho infantil -queria eu possuir sonhos dessa natureza hoje. Nos meus dias de êxito caminhávamos em direção a tão esperada loja. Eu obviamente dona de uma euforia indescritível. Contava segundos para chegarmos ao destino e, ao alcançá-lo, sinto que meus olhos brilhavam como rios inundados de cores e sonhos. Em pensar que meia dúzia de canetinhas coloridas despertavam a minha alegria durante dias. Nada mais era necessário. Eu tinha o mundo em minhas mãos, tinha o sonho em minhas mãos.
 E hoje? E agora? Agora mal sei o que quero e nas raras vezes que descubro pareço não me dedicar a conquistá-lo. Agora espalho sorrisos quando minha real vontade é chorar, distribuo bom dia quando desejo gritar, me declaro feliz quando a única certeza que tenho em relação à felicidade é que não a possuo. E é por isso que invejo uma criança.
 Invejo-a por tão se preocupar com a opinião alheia. Invejo-a por se dedicar tão pouco a aparência e com isso conseguir atrair os maiores olhares de admiração. Invejo-a por não necessitar mentir como forma básica de sobrevivência e por ser dona de uma sinceridade tão inata que pouca causa danos as suas vitimas.
 As crianças são um presente. São a prova de que é possível ser limpo e não deixar de ser fascinante. São a prova de que não são comportamentos perfeitos e estereotipados que atraem olhares. São a prova de que a teoria do amor próprio funciona, provando que quanto mais nos amamos e buscamos a felicidade interna, mais somos capazes de atrair e fazer outras pessoas felizes.   
 Nesse momento tento aprender com um deles uma lição básica para a minha existência, a proteção. Quero conseguir ser como uma criança que, ao perceber que alguém ou algo a causa sofrimento e dor, instintivamente se afasta, buscando evitar qualquer sentimento que possa comprometer sua paz. Para muitos pode aparentar um ato frito ou de extrema praticidade, mas não. É um ato no mínimo muito sábio, um ato de aceitação.
 Conforme fui crescendo passei a submeter a tudo que me faz sofrer. Sinto que ao permitir que uma lagrima se perca em minha face estou estabelecendo uma relação de total dependência com a causa de tal magoa.  Romper esta relação é como romper a ligação de um dependente químico com a droga. Independente da consciência do sofrimento acarretado, estabelecer um ponto final é extremamente difícil. E por que nos colocarmos em tal situação? Por que uma realidade tão limitada? Pra que sofrer? Não seria muito mais sensato adquirir o comportamento de uma criança e evitar que a causa dos nossos problemas se aproximem? Pra que tentarmos incessantemente equilibrar emoções sendo que podemos banir tudo de negativo que nos cerca sendo o que somos no intimo?
 Acho que todos nós deveríamos dedicar mais tempo valorizando o que há de especial em cada dia, cada momento que compõe a nossa história, assim como faz uma criança. Assim talvez conseguiríamos alcançar o tão sonhado sonho dos adultos, a liberdade. Liberdade essa que hoje em dia é meramente ilusória.
 Porque venhamos e convenhamos, conseguimos ser mais prisioneiros do que um ser dependente do próximo para realizar atividades básicas como comer.
 Somos prisioneiros de nós mesmos.

 Onde estamos querendo chegar?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Por apenas um segundo.

- Não, não dá mais. Jamais conseguiria mudar isso por qualquer pessoa que seja. Impossível, entendeu? É totalmente impossível pra mim. Mesmo que eu queira... E quer saber? Eu nem sei se eu quero. Ou quero? Enfim, acabou. É isso mesmo, não existe mais solução plausível para um dilema deste tipo. Já chega. Chega.

­
Por um segundo ela se sentiu em um monologo cuja o espectador não passava de uma ingênua vitima implorando por sua participação especial no espetáculo. Por um segundo ela se pegou dizendo coisas totalmente simples com tamanha redundância e brutalidade. Por um segundo ela se deu conta que tudo aquilo não passava de uma palestra regida por ela para ela própria, com o objetivo de fazê-la crer que realmente poderia romper tão facilmente um laço de amor.

Por um segundo ela achou que conseguiria sozinha.
Por um segundo ela achou que seria capaz.
Por um segundo ela se deu conta do quanto seria triste possuir a frieza que não a pertence. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Impotência.


Não sei se algum de vocês já passou por isso, mas sabe quando pisam no seu calo? Quando mexem com o seu bem mais precioso, o seu segredo mais confidencial ou o seu objeto mais adorado? Pior ainda, quando mexem com um ser muito amado e o sentimento de revolta domina nossos olhos nos tornamos leões em defesa de sua cria.

Lutamos por justiça.
Buscamos culpados.

 É isso que me peguei fazendo hoje. Buscando culpados.

 Ter a quem culpar de certa forma é confortante, nos da força pra lutar por uma justiça digna. Não achar culpados expande o meu sentimento de inconformismo e dor. Passo a descrer da vida, passo a descrer de Deus.

 Um dia minha vida mudou, foi o dia em que ganhei o primeiro dos três presentes que Deus me deu.
 E se um dia eu fui sozinha, deixei de ser quando ganhei vocês.
 E se algum dia o egoísmo me possuiu, com vocês aprendi o que é extrema doação.

 Sinto-me em pedaços ao pensar que alguma dor os aflige e os atormenta. É como se parte de mim estivesse ligada diretamente a vocês e cada dor que os tocasse me atingisse em cheio. Sinto que o instinto de proteção nasceu em mim junto com o nascimento de cada um.

Eu amo tanto.
Eu sofro tanto os vendo sofrer.
Eu queria tanto poder fazer algo pra impedir.
Eu queria tanto estar no seu lugar.

 Impotência,
O pior sentimento que há no mundo.
O pior sentimento que há em mim.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Basta.


Alguém avise que não somos bonecos a serem manipulados e jogados de lado.
Avise que usar as pessoas quando convém e depois não fazer a menor questão de mantê-las é uma atitude extremamente cruel e, sobretudo, burra!
Ah, aproveite e avise também que o mundo é feito de perdas e ganhos e que o mal feito a alguém, mesmo que inconscientemente, volta em dobro.

Por favor, não brinque com os meus sentimentos.
Sinto informar-lhe que por mais que eu aparente ser uma fortaleza indestrutível
os meus muros são feitos de olhares e meus canhões carregados de dor.

Não me faça acumular mais munição em meu interior.
Já não sou capaz de suportar tamanho peso em minha vida.

Não me culpe por toda magoa e medo que guardo dentro de mim.
Não sou a única culpada por todas as cicatrizes que a vida me deixou.
As pessoas passam, sim, mas as marcas que nos deixam ficam entranhadas em nossa alma como feridas que parecem se renovar diariamente.
Um corte que a cada inicio de cicatrização é refeito para jamais permitir sanar a dor.

 É, cada novo corte feito.
 Cada nova marca deixada.
 Cada nova ferida eternizada.

Sinto que em mim, particularmente, não cabem mais traumas.
Por isso peço, imploro, não desperte nenhum sentimento em meu coração.

Luto arduamente contra a minha tendência a amar demais.
E indiscutivelmente, sofrer demais.

Não quero depositar expectativa em ninguém, até porque não posso culpá-los dos meus sonhos infantis.
Sempre tive a impressão de não ser como a maioria que me cerca, hoje possuo a certeza.

Só me peço um pouco mais de frieza.
Um pouco mais de compreensão para lidar com esses corações inocentes que me despertam tanto amor.

 Mesmo que sem intenção.

domingo, 17 de outubro de 2010

A arte do desabafo.


  Hoje eu estava sentada na piscina e me peguei pensando em algo que tem me atormentado com frequência. Passo horas tentando descobrir o porque das minhas atitudes e o impacto que elas causam nas outras pessoas. Gostaria muito de controlar cada passo, cada palavra e cada gesto que emito perante este publico que me acompanha incessantemente.

Não da.

  Como eu poderia agradar a todos? E qual imagem eu gostaria de passar?
Não faço a menor ideia.

  Eu sou totalmente inconstante e incompreendida. Jamais pude definir nem para mim mesma o que gostaria de me tornar.

  Creio que esteja escrevendo esse texto meramente como uma forma de desabafo, já que ninguém se interessa a esse ponto pelas minhas futilidades.

  É, eu estou cansada. Estou cansada de escutar pessoas falando que os meus problemas são os mais banais. Estou cansada de me falarem que tenho tudo que alguém poderia querer. Estou cansada dos clichês ‘você reclama de barriga cheia’ e ‘metade do mundo queria estar no seu lugar’.

Ham? Como assim? No meu lugar onde?

  Por acaso alguém sabe o que se passa dentro de mim? Alguém vive os meus conflitos internos ou acorda em minha companhia todos os dias? Alguém me conhece ao ponto de se sentir no direito de menosprezar os meus ‘fúteis problemas infantis’? Se conhecer, por favor, apresente-se, porque até agora eu não consegui me conhecer assim.

  Às vezes sinto uma tristeza profunda e uma enorme vontade de não viver mais. Sei que se eu falar isso em uma roda de amigos todos irão rir da minha cara e não dedicar o menor esforço para entender a grandeza e a força que um sentimento assim pode ter. Mesmo que seja por um minuto. Mesmo que leve um segundo.

  Sinto-me tão imperfeita e incompleta diante das qualidades que preso. Gostaria de ser muito mais, de poder fazer muito mais. Critico o meu impulso, a minha pressa, a minha raiva e até o meu amor, que muitas vezes é excessivo.

  A angustia por um erro cometido ou um uma oportunidade perdida. O desejo de ter o que não é permitido ou as tantas hipocrisias com as quais me deparo diariamente me fazem acreditar que não pode haver um castigo pior do que este, viver em um mundo onde as pessoas são capazes de ter atitudes que além de medo me causam tristeza.

  Possuo total racionalidade e sei que não tenho o menor direito de julgar ou cobrar nada de ninguém. Pode ser que os meus valores sejam totalmente deturpados e que eu viva a ilusão de que possam existir pessoas puras de alma. Pode ser.

  Talvez por  me cobrar muito e consequentemente exigir também dos que estão a minha volta, eu afaste muitas pessoas. Mas o que importa? Muitas vezes penso que não preciso de mais ninguém além de mim e de alguém que realmente me entenda.

  A pergunta que me faço é: será que esse alguém existe?

Acho que eu deveria saber mais sobre o que eu quero de mim.
Para a partir disso conseguir definir o que eu quero para mim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Se existe alguém contra esta união, por favor, manifeste-se.


 São duas horas da manhã e a minha cabeça parece não respeitar o meu cansaço físico. Por mais que eu faça uso de toda força, cerrar os olhos se torna totalmente inútil. Pensamentos me tomam tão rapidamente que tentar acompanhá-los tornou-se uma guerra. É como uma batalha que travo comigo mesma em busca de me compreender melhor.

  Não, a minha mente não tem folga. A minha mente não me da folga.

  Seria muito luxo pedir um pouco de férias de mim mesma? Todos dizem: “cansei do meu pai, estou de saco cheio da minha mãe ou não aguento mais meu namorado...” Eu cansei de mim, e ai?

  Não vejo pra onde correr. Eu e minha cabeça sim, temos o único casamento eterno que acredito existir. E mesmo sabendo dessa convivência contínua e irrevogável a minha companheira não faz a menor questão de manter a cordialidade na relação.

  Não contentado em me atormentar incessantemente, o meu pensamento ainda consegue fazer pior, ele se supera. Gosta de surgir da forma mais embaralhada possível, apenas para me dar mais trabalho em decodificá-lo.

  Ele deve pensar (pensamento pensa? Não entrarei nessa questão): “Já que essa menina não faz nada da vida, vou ajudá-la. Farei o favor de aparecer da forma mais confusa possível, para dar a ela uma atividade diária. Afinal, coitadinha, não faz nada...”

  E tem mais, tenho pra mim que esqueceram de ensinar qualquer tipo de cronologia ou sentido para a minha cabeça.

  Estou pensando no dia anterior e de repente me pego pensando na moda feminina atual e quando me dou conta já estou com a cabeça e, alguma das muitas coisas bizarras que vejo pela rua.
  Exatamente assim, sem possuir nenhum tipo de virgula ou ponto. Parágrafo então é coisa de outro mundo.

  Sem contar que não existe nenhuma, mesmo que mínima, pausa para respiração. Afinal, infelizmente pensamento não respira. O que piora o meu problema.

  Preciso urgentemente de um tempo de mim!

  Mas como sei que não o terei, tentarei dormir.
  Até porque, já são quase três horas da manhã e ai contrário do que minha cabeça acredita tenho muitas coisas pra fazer ainda.


    Boa noite.

Texto escrito no dia 17/09/2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Angústia do saber.


  Me enganei? Como assim? Era tão obvio para mim o que se passava naquela sala. Como posso simplesmente ter confundido tudo? Parecia-me tão singular. Como pode existir outra interpretação para aquela cena, para aquele momento? E se existia, como pude ser tão cega a ponto de não vê-la?

  Frequentemente tenho passado por intensas crises de dúvidas.
Crises essas que vem me enlouquecendo a ponto de me impedir de viver momentos com intensidade.

  Sou a única que perco horas do meu dia pensando que posso estar confundindo tudo em relação a tudo? Cheguei a pensar que um sorriso aparentemente sincero e confortável poderia ser apenas uma tentativa de ironia indireta. Assustem-se.

  Tento achar uma única explicação plausível para este momento. Insegurança, medo e proteção. São as únicas coisas consigo imaginar.

  Talvez traumas e confusões do passado tenham me tornado uma pessoa mais fria, com grande dificuldade de entrega a qualquer tipo de relação. O medo de uma nova decepção é tão assustador que me impede de tentar. O instinto de autoproteção grita na tentativa de sufocar qualquer vestígio de um possível tombo. Não adianta, as quedas fazem parte da vida, evitá-las é mera perda de tempo.

  Ah, o coração. Por mais que sejamos a racionalidade em pessoa, nada consegue detê-lo. É incrível como temos a capacidade de achar que somos Deus. Eu por exemplo tenho um enorme-péssimo habito de acreditar que só por estar ciente de uma possível desilusão estou evitando-a. Sei que chega a ser engraçado, talvez até um tanto hipócrita.

  Saber do risco não significa não corrê-lo. O envolvimento ocorre independente de qualquer alerta prévio. E se algo der errado vem à tona o inevitável momento ‘do tombo’, que tanto se tentou evitar.

  Ele chega muitas vezes fortalecido pela tentativa frustrada de proteção. Tudo que foi formulado sobre possíveis acidentes de percurso parece não bastar. A decepção se junta à raiva por não conseguir responder da forma esperada a tal situação. Cobrança. Desilusão. Queda.

  Não seria melhor então ter vivido cada momento, mesmo que ilusório, com a maior intensidade? Já que cair me parece inevitável...
  Talvez o sofrimento fosse até menor pos a cobrança se ausentaria do pacote de ‘morte completa’. Ao menos podería usar a desculpa de ter acreditado em tudo cegamente.

  O que fazer?

  Certas dúvidas têm me corroído a alma.
  O que mais me assusta é pensar: ‘já sofri muito além disso, e sobrevivi.’
  Aqui estou novamente cometendo o mesmo erro.
  Achando que uma única coisa pode ser a mais importante da minha vida. Sendo que a vida já me provou que nada é eterno e que toda tristeza um dia vira risada.

  Definitivamente eu não me entendo.

Quero apenas me envolver.
Quero levar tudo e todos as ultimas consequências.
Quero sofrer tudo que for destinado a minha existência.
Quero viver sem essa capa protetora que me impede de voar.

  Eu quero amar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A lágrima.



Uma ardente falta de ar invade meu pulmão.
É quase uma sensação de sufocamento.
A energia corre por todas as partes do meu corpo.
Como se estivesse acordando cada célula.
Cada fio de cabelo.
Cada toque.

A emoção a flor da pele.

Os batimentos do coração disparados.
É como um alerta de algo incrível.
Os pés já não tocam o chão.

E então ela chega.

A boca já não sente a umidade habitual.
O conforto não da lugar a mais nada.
É possuidora de um poder jamais visto.
Como envolver um bebê em seu manto sagrado.

Sagrada.

Ela chega como senhora absoluta.
Detentora de uma ternura indefinida.
Dispensa qualquer gesto brusco.
Ela fala por si só.

Seria o sentimento mais nobre?
A sensação mais plena?
O maior contato entre o homem e seu interior?

Não sei.
Não sei defini-la.
Mas já a senti algumas vezes.
E a intitulo como
INCRÍVEL.

sábado, 21 de agosto de 2010

A cidade do sol.


  Desde que terminei de ler este livro penso em escrever sobre ele, porém nunca conseguia me definir sobre qual das milhares de sensações incríveis que senti durante essa leitura gostaria de falar. Nada adiantou, aqui estou eu sem a menor noção do que irei relatar nesse texto.

  É incrível a capacidade que certos autores tem de me apresentar a mim mesma. Sim, é exatamente isso que quis dizer, eles parecem conhecer muito mais sobre as minhas limitações e dúvidas do que eu. Sabem exatamente como me alimentar, instigar a minha curiosidade e exigir de mim muito mais do que meus pensamentos banais sobre questões aparentemente cotidianas, porém fantásticas.

  Sempre tive certa atração sobre assuntos envolvendo países e culturas variadas, gosto de imaginar que existem realidades muito diferentes da minha e que muitas vezes não estão tão distantes. Mas nunca nessa proporção, nunca com essa intensidade que me invadiu o peito e me afogou os olhos.

  Recordo-me vagamente do ano de 1996, eu tinha cinco anos e estudava em uma escola bem alegre. Tinha amiguinhos, meninas e meninos, e não sofria nenhum tipo de repressão por conviver com todos igualmente. Lembro que muitas vezes minha avó me buscava no final da tarde, ela morava bem próxima a escola. Eu, agitada como sempre, ia pulando ao longo do caminho e muitas vezes soltava sua mão. Era repreendida, mas logo em seguida presenteada com o seu sorriso acalentador. Seguíamos caminho, parávamos em uma padaria que hoje esta totalmente diferente. Comprávamos mil balas e como sempre dois pães de sal bem morenos, preferência do meu avô.

  Levava uma vida tranquila, sem grandes feitos, sem grandes limitações. Sentia-me livre.

  Desde essa época meus pais já eram separados. Para mim isso não fazia muita diferença, ou se fazia não me recordo no momento. Acho que mesmo nova já era adepta da teoria ‘Não sinto falta de pais casados porque não me lembro como seria tê-los’. Nunca sofri nenhum tipo de descriminação devido a isso, nem me passava pela cabeça que em algum lugar do mundo o estado civil dos pais poderia influenciar na imagem dos filhos.

  HARAMI, esse é o nome dado a uma criança do Afeganistão cuja origem descende de um relacionamento não convencional, ou seja, a mãe não é a real esposa do pai. Não é o meu caso, mais isso me tocou profundamente. Como uma sociedade é capaz de expor uma criança a ponto de estereotipá-la? De fazê-la passar por diversas humilhações diante de uma sociedade hipócrita? Foi o que aconteceu com Mariam e com diversas outras crianças que vivem uma realidade que para mim era bem irreal até então. 

  Foi nesse momento que comecei a refletir sobre o mundo, sobre o quão limitado é o nosso campo de visão. Sobre o quão pouco sei e o quanto estou me isentando de inteligência ao achar que a vida que levo é a única possível e normal. Cega. É isso que sou, cega.

  Tantas aulas de Geografia em vão. Passo dias reclamando de fatos banais sem ao menos saber o que acontece no outro lado do mundo, no outro lado do Meu Mundo. Acho normal vestir um vestido preto, passar um batom nos lábios e sair em busca de diversão para sábado à noite. Normal? Normal onde? Normal para quem?

  Existem lugares onde as mulheres mal podem sair de suas casas. São entregues aos maridos ainda jovens, como mercadorias a serem usadas ao longo da vida. Mulheres essas que não podem mostrar o próprio rosto em publico e que se recolhem em seus aposentos ao chegar uma visita em casa.

  Esse livro me tocou profundamente, me fez ver que essa mulher é exatamente como eu, exatamente como nós.

  Coloquei-me na situação de Laila e Mariam, vivendo em uma sociedade onde a agressão física é garantida por lei. Logo eu, tão sonhadora e idealista. Logo eu que vivo em um país onde uma simples palmada se tornou proibida por lei. Não, eu jamais aguentaria. E por que elas aguentam então? Porque é normal, pra elas anormalidade é a vida que mulheres como eu possuem.

  Em 1996, enquanto eu vivia a minha pacata infância, entrava em vigor no Afeganistão um conjunto de leis que privava a população do pouco que ainda restava. Guerras haviam tomado conta da região desde 79 e Cabul tinha se tornado uma praça de violência.

“Nosso watan chama-se agora Emirado Islâmico do Afeganistão. Eis as leis que começam a vigorar e às quais todos devem obedecer.
Todos os cidadãos devem rezar cinco vezes ao dia. Quem for apanhado fazendo outra coisa nas horas de oração será espancado.
Todos os homens deverão deixar crescer a barba. O comprimento correto é pelo menos um punho fechado abaixo do queixo. Quem não cumprir essa determinação será espancado.
Todos os meninos devem usar turbante. Os estudantes da primeira à sexta série usarão turbantes negros, os alunos das séries superiores usarão turbantes brancos. Todos deverão usar trajes islâmicos. O colarinho das camisas deve ser abotoado.
É proibido cantar.
É proibido dançar.
É proibido jogar cartas, jogar xadrez, fazer apostas e soltar pipas.
É proibido escrever livros, ver filmes e pintar quadros.
Quem possuir periquitos será espancado, e os pássaros, mortos.
Quem roubar terá a mão direita cortada na altura do pulso. Quem voltar a roubar terá um pé decepado.
Quem não é muçulmano não pode realizar seu culto em lugar onde possa ser visto por muçulmanos. Quem fizer isso será espancado e detido. Quem for apanhado tentando converter um muçulmano à sua fé será executado.
Atenção mulheres:
Vocês deverão permanecer em casa. Não é adequado uma mulher circular pelas ruas sem estar indo a um local determinado. Quem sair de casa deverá se fazer acompanhar de um mahran, um parente de sexo masculino. A mulher que for apanhada sozinha na rua será espancada e mandada de volta para casa.
Vocês não deverão mostrar o rosto em circunstância alguma. Sempre que saírem à rua, deverão usar a burqa. A mulher que não fizer isso será severamente espancada.
Estão proibidos os cosmésticos.
Estão proibidas as jóias.
Vocês não deverão usar roupas atraentes.
Só deverão falar quando alguém lhes dirigir a palavra.
Não deverão olhar um homem nos olhos.
Não deverão rir em público. A mulher que fizer isso será espancada.
Não deverão pintar as unhas. A mulher que fizer isso perderá um dedo.
As meninas estão proibidas de freqüentar a escola. Todas as escolas femininas serão imediatamente fechadas.
As mulheres estão proibidas de trabalhar.
A mulher que for culpada de adultério será apedrejada até a morte.
Ouçam.
Ouçam bem.
Obedeçam.
Allah-u-akbar.”

  Essas leis não só me indignaram como me assustaram de forma indescritível. Acredito que conseguiram reunir em um único documento tudo que considero contra os direitos humanos e livre arbítrio. Mas quem sou eu para julgar uma cultura que jamais conheci, e com a qual eu não pertenço?

  Gostaria muito de saber qual é a linha que separa o cultural do inaceitável, se é que existe essa distinção.

  A Cidade do Sol me fez perceber o quanto sou pequena diante da diversidade existente no mundo e o quanto gostaria de poder conhece-lo.

sábado, 7 de agosto de 2010

Amor.

   Ando muito intrigada com uma questão, que até então tinha passado despercebida em minha vida. Não tenho muito que falar sobre tal tema, confesso ser completamente leiga quando o assunto é amor, mas de uma coisa estou certa, tenho tantas duvidas que seria capaz de escrever um livro.
   O que leva o nosso coração a escolher determinada pessoa? Ás vezes nem achamos tantas qualidades ou semelhanças em determinado homem a ponto de querê-lo como companheiro. Dizem que os opostos se atraem, mas tenho uma pequena impressão que foram exatamente esses ‘opostos’ os responsáveis pelas minhas maiores decepções.
  Tem momentos que nem eu mesma me entendo, creio que não sou a única que reflito sobre essa questão. A vida nos alerta de todas as formas, nos mostra que estamos indo para um caminho errado... a pessoa amada nos decepciona, nos faz sofrer, nos oprime a ponto de não existir mais uma gota de auto estima, mas algo nos cega ao ponto de nos fazer insistir em um relacionamento inexistente, mera perda de tempo
  Seria quem então o verdadeiro dono do nosso coração? O comandante desse amigo-inimigo que temos dentro de nós? Porque sim, é isso que ele é. Um amigo que nos proporciona os sentimentos mais plenos e um inimigo cruel, porque além de nos fazer sofrer, consegue nos impor algo que praticamente fere o nosso livre arbítrio, nosso direito de liberdade. Não podemos simplesmente arrancá-lo, porque ele nos pertence e nos mantêm vivos.
  Não existe nada que possamos fazer contra um sentimento, o coração faz a sua própria hora. Suplicas, tentativa de substituições, nem as maiores loucuras conseguem acelerar o tempo do nosso coração. Ou seja, todo trabalho feito para esquecer uma pessoa é inútil, somos meros espectadores da vontade do nosso poderoso chefão
  Ah, ele não se contenta com esse poder de comando, ele quer muito mais. O coração não dá avisos. Meu sonho é que ele tivesse aquele famoso ‘bilhetinho’ de colégio infantil. ‘Senhorita Laura, amanha ao ir à padaria você encontrará seu futuro namorado’, ‘Fique atenta, nessa boate você poderá esquecer seu amor atual’, ‘Não fique em casa hoje, tudo pode mudar se você for para rua do lado’... Como eu seria feliz!
  Posso estar me apaixonando hoje, ou me afastando de alguém que amei... Sinceramente não sei! Seria eu então quem escolho os meus amores inconscientemente? Ou sou apenas vítima das escolhas de segundos?
  Essas dúvidas me atormentam e me alimentam. A sensação de estar vivendo o sentimento mais nobre e ao mesmo tempo a esperança de que esse sentimento não será eterno. A qualquer momento posso me surpreender com novas experiências e como tudo na vida, as mudanças sentimentais são constantes.
  Não sei nada sobre o amor, mas sei muito sobre amar...
 e quanto as minhas dúvidas, não sei desvendá-las.
  Só sei que elas me fascinam.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Hoje: o ontem de amanhã




Estava hoje travando com uma amiga uma daquelas conversas que começam com um objetivo, mas acabam mudando completamente seu curso no decorrer do tempo. Falávamos sobre o tempo, sentimentos e sonhos, sonhos esses que não sabemos se vão ou não se tornar realidade. Falávamos sobre o passado, o presente e o tão esperado e temido futuro, futuro esse que me traz uma sensação de total impotência.

Na verdade, existem dois tempos verbais que me intrigam muito: o passado e o futuro.

Dedico grande parte do meu tempo recordando coisas que já vivi e não tenho a menor pretensão de reviver. Sei lá porque, mas têm momentos da minha vida que parecem ter se tornado ‘propagandas de tv’, eles se repetem desenfreadamente na minha memória de uma maneira inconsciente e incontrolável. É como um filme travado em determinada cena, se repetindo, se repetindo... Lembro-me que quando os vivi jamais poderia imaginar a importância que iriam adquirir na minha vida e o quanto ocupariam o meu pensamento.

Acredito que isso tudo esteja ligado à saudade.

E a saudade é outra que me intriga muito.

Já parei pra pensar e cheguei a conclusão que todas as duvidas que tive em relação aos sentimentos foram cessadas pela saudade. Se pedirem, hoje, para que eu defina saudade certamente vou dizer que é a maior certeza da ocorrência de um sentimento verdadeiro, sentimento esse que foi forte o bastante para deixar marcas.

Resumindo, para mim saudade é sinônimo de esclarecimento!

Ah, se tudo terminasse nessa bela frase impactante...

Mas esse é só o começo de um longo e sórdido processo manipulado por ela, a nossa temível adorável saudade. E não, ela não chega sozinha, ou você acha mesmo que uma senhora desse porte andaria por aí desacompanhada?  Tremenda inocência.

Juntos surgem milhares de outros ‘mini-sentimentos’ que a torna perigosa: culpa, remorso, raiva, indignação, alegria, alívio, euforia, desespero... ‘Por que não dei mais valor ao que tinha?’, ‘Por que fui tão egoísta?’, ‘Se eu pudesse voltar no tempo’, ‘Agora eu sei que ele realmente era o homem da minha vida’...

Mas... só um pequeno detalhe:  a saudade não é uma maquina do tempo!

Por mais que funcione como uma válvula de escape e aparente ser o sentimento mais confortante do mundo, por ser a única ligação latente com momentos vividos, nada fará com que a vida regresse.

Independentemente do que sinto em relação ao passado e da falta que ele me faz no presente, jamais conseguirei retomar algo que já foi. E é exatamente por isso que concordo com Chico Buarque quando ele diz ‘que a saudade é o pior castigo’, pois é como botar o dedo na ferida ainda aberta, lembrar de momentos que não existem mais.

É, o tempo não perdoa.

Cheguei a conclusão que tanto temia.

Dedico à maior parte do meu tempo minando coisas que já ocorreram e vivendo em prol de recordações e catarses que nunca me proporcionaram plenitude. O pouco tempo que me resta uso para sonhar e programar um futuro sem a menor garantia que ele realmente existirá, afinal, posso morrer a qualquer minuto.

E o presente?

Será que só agora me dou conta de que é desse presente que se criarão minhas futuras memórias do passado? E que é nesse presente que devo lutar para conquistar os meus tão sonhados planos do futuro?

Vejo-me completamente contraditória diante dessas constatações, como posso ir contra meu próprio pensamento? Realmente não sei.

Mas de uma coisa eu sei: eu não quero viver de saudade!

domingo, 11 de julho de 2010

Onde?



 Sempre julguei a felicidade com algo a ser conquistado futuramente, algo que dependia de um conjunto coisas dando certo ao mesmo tempo. A cada conquista sentia que ainda me faltava alguma coisa para concluir o meu projeto, conclusão essa que parecia nunca chegar. 

 Os objetos de desejo iam se alterando em uma freqüência que nem meu próprio pensamento era capaz de acompanhar, limitando com isso a minha satisfação completa. Com o passar do tempo o sentimento de impotência em relação a minha própria vida foi ganhando forma e me fazendo nutrir uma enorme frustração interna. 

 Não seria eu capaz de proporcionar a mim mesma a felicidade? Vou passar a vida esperando que alguém a encontra pra mim? E, além disso, me veio à cabeça a seguinte questão: O que seria a felicidade propriamente dita? Seria mesmo necessário todos aqueles objetos de desejo para conquistá-la? 

 Tem momentos que ser feliz me parece algo tão simples... como quando ando na rua e observo uma criança, as vezes se deliciando com um sorvete de chocolate, outras observando quantos passos consegue dar sem tocar as emendas da calçada... ela não parece precisar de mais nada para estar feliz. 

 A felicidade então não seria um estilo de vida a ser alcançado e sim pequenos momentos, únicos, que duram muitas vezes menos do que a nossa própria memória nos aparenta recordar. Momentos esses que passam despercebidos diante da rotina tão árdua que levamos em busca da tão sonhada felicidade!


'Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.'

(A Arte de Ser Feliz - Cecília Meireles)

sábado, 26 de junho de 2010

...


Nunca me passou pela cabeça a idéia de fazer um blog, não sou tão boa com palavras a ponto de torná-las publicas. Só que esse ano as coisas mudaram, percebi que expor meus pensamentos é algo tão significativo que não importa se sou ou não boa nisso.

A menos de um ano conheci uma pessoa, pessoa essa que hoje posso chamar de amiga, e essa pessoa me fez entender o quanto o ser humano é incrível. E a partir desse momento senti uma enorme vontade que me sufocava a alma, um desejo incessante de expressar meus pensamentos e tentar compreender o que se passa no tão incrível mundo dos sentimentos.

A solidão por exemplo, quem se julga totalmente independente já esta de certa forma assinando sua condição de profunda insegurança e dependência ao próximo. Que necessidade teria uma pessoa de expressar o que acha de si própria para segundos? Quem se considera totalmente livre jamais perderia tempo tentando provar algo que já sabe, porque pra essa pessoa, ela basta!

Me senti sozinha, não foi a primeira vez.. não será a ultima.

Estar sozinho não significa não ter ninguém a sua volta e sim não conseguir encontrar a si mesmo. Mas por que o ser humano tem cada vez mais necessidade de pessoas? Seria por que a sua própria companhia não é agradável suficiente? Ou pelo simples fato do mundo se basear casa vez mais na aparência e ao estar cercado por milhões de almas que nada o acrescentam o homem se sente mais confiante diante da sociedade? Não sei, não sei. Apenas acho tudo isso uma grande bobagem, porque basta ter única pessoa ao lado para não caminhar mais sozinho.



Preciso de Alguém

Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odia-lo por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa,
desacreditada, quase impossível de encontrar: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo,
que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja pouco para as suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
"Nós ainda vamos rir muito disso tudo"
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo,
mas posso escolher o meu Amigo.


E nessa busca empenho a minha própria alma,
pois com uma Amizade Verdadeira,
a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela...

(Charlie Chaplin)