quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eu não vou me adaptar

  Passei a vida tentando decifrar o mundo, tentando decifrar os outros. Sonhei com o dia que seria capaz de compreender o que se passava no coração das pessoas que amava, acreditava que assim conseguiria conquistar o meu lugar. Virei noites elaborando teorias complexas sobre o sentido de cada olhar que me era direcionado, cada palavra que me era dita, cada toque que me era presenteado. Tentei entender as mudanças do tempo, as mudanças das pessoas, as mudanças de planos. Tentei correr atrás de tudo que me escapava entre as mãos, acelerando mais do que minhas pernas eram capazes de suportar. Vezes outras, tornei meus passos lentos, quase que arrastados, buscando não disparar na frente de algo acreditava me pertencer. Me adaptei, ou melhor, tentei me adaptar.  
  Perda de tempo. Pior ainda, perda de mim. 
  Como eu não havia percebido antes? Eu não vou me adaptar! 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Fragilmente indestrutível

  Estou sufocada. Minha cabeça fervilha de ideias e cada nota musical me desperta uma diferente sensação de descoberta. Cada linha que me disponho a ler me leva a pensamentos que parecem não pertencer ao espaço em que habito. A emoção parece aflorar constantemente dos meus olhos. Momento de inspiração que deveria me causar liberdade,  me faz sentir aprisionada em um mundo que só eu sou capaz de visitar.
  Desejo de falar, tentar explicar para alguém minhas visões de mundo e o quanto momentos como esse me fazem sensível e forte. Fragilmente indestrutível. A sensação de que a qualquer momento irei explodir e que juntamente a isso todas essas sensações, dúvidas e sede de vida irão se espalhar e contaminar o universo e, a partir deste momento, todos irão compreender o que me torna uma pessoa tão complexa e misteriosa. Vão entender o porquê da minha necessidade de dias solitários, onde a luz não invada a minha conversa com meu eu interior.
   Como a melodia desta música pode estar me tocando tão fundo à alma? Como posso estar sentindo essa energia de vitalidade percorrer o meu corpo de forma tão diferente da melodia anterior?
  Preciso de alguém. Preciso explicar para alguém a metamorfose que se tornou a carne que habito. Preciso fazer alguém entender o que se passa com o meu ser para que esse alguém possa me explicar, me acalmar, me abraçar e dividir o peso que carrego de ser eu mesma, esse ser tão inconstante e desprovido de qualquer serenidade mental, esse ser que tem sede do novo e saudade do velho. Esse ser que tem desejo nos olhos e repudia no coração.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O amor em seu formato mínimo.

Acordar. Levantar. Arrumar. Planejar.
Viver. Sonhar. Ser. Tentar.
Buscar. Lutar. Deduzir. Adivinhar
Julgar. Fingir. Maltratar. Ignorar.
Pensar. Saber. Conhecer. Desconfiar.
Filosofar. Encontrar. Amar. Amar.
Amar. Beijar. Amar. Cochilar.
Acordar. Olhar. Admirar. Decepcionar.
Ela. Ele.
Eu. Você.
Ela, eu.
Ele, você.
Ela, busca. Ele, satisfação.
Ela, encontro. Ele, frustração.
Ela, ganância. Ele, conformidade.
Ela, planos. Ele, realidade.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Somos o que há de melhor...

  Sentimentos controversos que teimam em habitar o meu coração.O que devemos fazer diante dos fantasmas que insistimos em acolher dentro de nós? Por que os alimentamos e os damos abrigo como se fossem amigos íntimos e indispensáveis?
   Romper barreiras em busca da esperada felicidade se torna uma tarefa difícil quando não conseguimos nos libertar de nossos próprios medos e pudores. Uns, impostos pela sociedade que pertencemos, outros, pelas regras que nós mesmos criamos na tentativa de nos tornamos mais admiráveis na visão de... na visão de quem? De nós? Dos outros? Sinceramente, de que importa?
   Infelizmente, passamos a vida tentando montar a imagem de uma figura admirável e interessante, para que, alguém,talvez, um dia, quem sabe, nos enxergue como uma pessoa especial. Passamos a vida tentando nos tornar o que não somos para atrair alguém, sendo que não há nada mais atraente do que a humanidade imperfeita que nos pertence.
   Como já dizia a música 'Diga a verdade ao menos uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros.' Então, para que passar a vida tentando acertar?



domingo, 6 de maio de 2012

Um poema, um alívio

 Escrever
 Desabafar
 Tentar por no papel coisas que não compreendo com o coração
 Válvula de escape
 Fuga
 Buscar me distrair com algo que não traga aflição
 Dúvida
 Busca
 Alguém me explica o que se faz com a emoção
 Medo
 Perda
 Não quero me manter nessa prisão
 Um Grito
 Liberdade
 Eu posso ter o mundo em minhas mãos
 Uma dor
 Uma saudade
 Não há mundo que sobreviva a solidão.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Esperando o inevitável

  Estive pensando na morte.
  Faz tempo que a correria do dia-a-dia me impede de pensar nessas coisas subjetivas. De certa forma isso me faz bem, já que tenho grande tendência à melancolia e as grandes reflexões costumam me fazer sofrer bastante.
  Além do mais, a fuga vem se tornando minha grande aliada. Como todos sabem é bem mais fácil fingir não ver os problemas do que encará-los de frente. Podemos chamar de ‘o famoso comodismo dos cegos. ’
  Entretanto, estive pensando na morte.
   Inevitável, indecifrável.
  Eu posso fugir de qualquer pensamento que me traga tristeza. Posso fugir de uma análise mais profunda do que realmente sou. Posso fugir de mim. Mas jamais poderei fugir da morte.
  Por vezes paro pra pensar na minha verdadeira função na terra. Chego a acreditar que minha vinda não foi em vão. Algum objetivo existe a ser cumprido, mesmo que eu não saiba ao certo qual. Talvez eu viva em busca de uma felicidade que nem ao menos me foi destinada. Ou talvez, quem sabe, o meu destino esteve em algo que passou e eu não soube decifrar e, por não saber decifrá-lo, eu não seja digna do deslumbre. Vai saber...
  Mas uma coisa é certa, a morte me aguarda. Posso não saber ao certo quando ela virá ou o que me trará como surpresa, mas ela virá. E terei que estar pronta para recebê-la, pois ela não me permitirá levar lembranças do que não vivi. 

domingo, 8 de abril de 2012

Perdida em uma Estrada

    Eu me perdi. 
    Não sei exatamente como ou onde isso aconteceu, mas quando me dei conta, já estava feito. Eu havia me perdido de mim e de tudo que acreditava me pertencer de forma tão natural, tão simples, tão certa.
    Em algum momento, quando eu percorria algum caminho que provavelmente me levaria a um dos meus ‘eus’ interiores, me foi oferecida uma saída. Um desvio de rota que me pareceu atraente e que de uma forma de outra me enganou. Eu me enganei.
    Me enganei quando acreditei que pegando o caminho mais fácil poderia encurtar o percurso ou torná-lo mais agradável. Me enganei por não perceber que era exatamente no caminho árduo e cansativo que estava o que procurava.
    Me perdi.
Agora só me resta fazer o retorno e buscar novamente o que me era destinado inicialmente.
    Conclusão: gastarei mais tempo e em nada me poupei dos empecilhos da estrada. Porém, uma coisa aprendi: nem sempre a esperteza é uma aliada. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Ano novo. Inovação.


    Como eu adoro o início do ano. São aqueles projetinhos de sempre: dessa vez irei estudar como nunca, não comerei como sempre e malharei de janeiro a janeiro, sem direito a folga e intervalos comerciais. O início do ano para mim tem um gostinho doce de esperança misturada com o desafio de superar a minha maior inimiga, eu mesma. Uma energia revigorante parece tomar os meus dias e eu ouso dizer que chego a me tornar uma pessoa zen, podem acreditar! Além do mais, essa época do ano me da uma forcinha extra para abandonar tudo que é antigo e já não possui serventia no meu cotidiano, é um momento de purificação. É uma das raras épocas em que me sinto forte e com uma autoconfiança invejável, chego a me tornar idealista. 
    Creio que comecei bem o ano de 2012. Uma intensa arrumação no armário, doação de tudo que já não me era útil. Matricula feita em todos os cursos que almejo, não poderei mais fugir deles.  E uma grade de matérias capaz de enlouquecer qualquer estudante universitário.
    Dias cheios, muitos sonhos, muita expectativa. 
    Acho que estava precisando de um recomeço para, quem sabe, me reencontrar. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O tédio produtivo.

         Era uma noite tranquila, dessas que tentamos ver o máximo de novelas que a nossa mente é capaz de suportar e quando já não encontramos animo para encarar a tela da TV, optamos por algo menos alienador. Cogitei filmes, livros ou uma ligação casual para alguma amiga, mas nada me parecia atraente o suficiente. Foi então que me rendi a uma breve espiada no mundo virtual. Naveguei um pouco pelas redes sociais, tentei escrever algumas linhas sobre o que sentia no momento, mas confesso que a minha preguiça de começar uma autoanálise superava qualquer desejo de inspiração. Ainda em busca de me refugiar do tédio, optei por abrir aleatoriamente as pastas do meu computador procurando ser surpreendida por alguma coisa, e realmente fui.
        Deparei-me com uma pasta que continha fotos tão antigas que eu mal podia recordá-las. Comecei a vê-las repetidas vezes e me senti tendo um daqueles momentos de melancolia misturada com saudade e sabe lá Deus mais o que. Era um mix de realmente difícil de decifrar.
        Inúmeras vezes me peguei rindo das imagens como se estivesse revivendo algum momento engraçado, porém, o mais engraçado foi quando resolvi observar a minha reação diante daqueles retratos de vida. Eu estava ali, diante de tudo que já vivi, diante de fotografias que não mostravam nada além do que a minha própria história. E eu ria! Eu ria como se cada imagem tivesse sido eternizada no meu momento de mais plena felicidade. Eu ria como se quando aqueles flashes foram lançados diante de mim eu não possuísse problemas, como se eu não sentisse resquícios de dor. Cheguei a cogitar que minha vida poderia ter sido perfeita durante todo aquele tempo, mas logo em seguida me deparei com o óbvio. 
        Minha vida nunca tivera sido perfeita, longe disso. Naqueles momentos eu sofria tanto quanto hoje, ou mais. O incrível é como o ser humano consegue superar as coisas ruins sem deixar que as boas lembranças se percam.
        Hoje, ao ver fotos do passado, sinto uma enorme alegria por tudo de bom que vivi o uma inexplicável amnésia em relação a tudo que me fez sofrer.
        Espero um dia ser capaz de por em prática este sentimento em relação ao presente, aprendendo a guardar comigo apenas o que me faz bem. Talvez esse seja o segredo da felicidade.