quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um lugar qualquer.


 Trocas de olhares ternos e calmos.
Não existe sonífero mais eficiente que seus braços.
Gargalhadas altas, leves.
Pequenos ensinamentos que permanecerão nas memórias mais nobres de um ser.
E ainda assim, tendo em distância tão curta uma fonte tão límpida de amor, consegue-se torná-la invisível para o coração.
 O que Johnny precisava estava exatamente ali. A completude que todo o seu mundo de fãs e mulheres não o trazia estava em algo muito mais seu do que qualquer outra coisa.
Em meio a uma vida perfeita aos olhos dos que observam de longe, o protagonista vive um conflito interno que apenas a sua filha de 11 anos consegue desvendar. Ele tem tudo, aparentemente, tudo. Mas de que adianta ter tudo quando não se tem nada? De que adianta um belo palácio se não existe uma única companhia para um chá?
  A solidão esta dentro de quem a vive.
 Aquela menina tão pequena conseguiu despertar em um homem a ternura que parecia incapaz de habitar o seu olhar. Aquela menina, que já era sua filha a tanto tempo, conseguiu tocá-lo ao ponto de fazê-lo despertar.
 Momentos inesquecíveis estão em toda parte, prontos para serem vividos.
Basta não virarmos as costas quando a real felicidade acenar.

Sobre o filme: Um lugar qualquer
Diretora: Sofia Coppola

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cartas para Julieta.



 Ontem vi um filme que não fugia em nada das tantas comédias românticas que vemos em cinemas e locadoras. Para uns, bobos, para outros, ótimos, para mim, revelador. Não sei porque, mas de uns tempos pra cá tenho me identificado muito com contos de fadas, mesmo não tendo uma opinião formada em relação a sua autenticidade. Sempre me ponho no lugar da mocinha sofredora que encontra no amor verdadeiro sua uma razão para viver, e essa sim é minha única razão de viver. 
 Estou longe de ser uma menina sem nenhum defeito ou uma mulher exemplo de beleza e garra. Estou longe de ser digna de um daqueles homens com uma beleza estonteante que na maioria das vezes só passa a ser um bom rapaz quando a mocinha o desperta algo surreal. Mas eu queria, eu realmente queria viver um amor daqueles arrebatadores, que não mede consequências e supera qualquer empecilho. 
 É estranho pensar que muitas pessoas passam pela vida sem ao menos conhecer esse sentimento, é estranho pensar que nem todos somos felizardos. O que será que diferencia as pessoas? O que será que torna uma pessoa merecedora de uma experiência tão intensa? Não sei. 
 Apenas sei que este filme me despertou uma imensa vontade de ir para Verona escrever a minha carta para Julieta e deixá-la no muro, como todas as outras mulheres com o coração partido. Quem sabe eu não teria uma resposta?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Minhas mil faces


 Logo eu, tão cheia de ideias prontas e teorias formadas sobre o que é ser correta e independente. Logo eu que sempre me mostrei forte e totalmente auto suficiente nas relações humanas. Logo eu que nunca tive dificuldade para encontrar a felicidades em coisas cotidianas e aparentemente pouco interessantes. Logo eu que sempre superei uma tristeza abrindo a porta pra um mar de alegrias que nunca se negaram a invadir minha vida nos momentos em que mais precisei. Logo eu, tão cativante... Logo eu que sempre gozei de sorrisos indecifráveis e da extrema facilidade em brincar com as palavras, por mais duras que fossem.
  Gargalhadas intermináveis que só terminavam quando a barriga mostrava não mais suportar.
 De onde vinha tudo isso? Pra onde foi toda aquela euforia de viver que parecia tão minha?
 Hoje quando deito, não programo um dia divertido e baseado na comédia dos fatos. Na maioria das vezes passo horas pesando nas novas experiências que ainda viverei e o quanto elas conseguirão tocar a minha alma, me despertar lágrimas. Troquei as risadas desenfreadas por um choro rotineiro e imprevisível, que me acompanha nos momentos menos esperados.
 Se me perguntarem qual das facetas mais me agrada, não exitarei em responder que o comodismo da alegria é bem atraente, mas nada poderia ser mais emocionante do que sentir latente o soluço de um pranto.
 É a maior certeza que já tive de estar viva, é o mais próximo que já consegui chegar de mim mesma.