quarta-feira, 15 de junho de 2011

No tilintar de xícaras...

   Bem me dizia Luana, em um daqueles raros chás da tarde para os quais eu a convidada a invadir minha mente... Bem me dizia Luana, que por mais que me alertasse, eu mantinha o péssimo hábito de cultivar a auto enganação. Bem me dizia Luana, que mesmo que eu tentasse arduamente me convencer de que o que me ofereciam era o suficiente, o suficiente para mim jamais havia sido oferecido. Também me dizia ela que mera enganação eu cometia ao tentar me igualar aos demais e aceitar defeitos que para mim, definitivamente, eram inaceitáveis. Bem me dizia Luana que a felicidade jamais me seria concedida enquanto eu não assumisse para mim mesma que sonhava alto, queria muito. Muito de mim, muito dos outros. Luana cansou de me alertar da mania que tinha de me contentar com o que me era inferior, cansou de me esfregar na face a síndrome da Madre Tereza.
   Ela realmente tentou.
   Luana era um dos meus poucos momentos de lucidez e ao final de cada chá da tarde sentia que junto dela iam os meus sonhos, a minha aceitação, o meu eu. 
   Eram em encontros como aqueles, que ocorriam com uma frequência não muito definida, que conseguia entrar em contato comigo mesma. Eram em momentos como aqueles que eu me via diante de mim, sem mascaras, sem aspas. 
   E ao se aproximar a despedida, meu coração doia, meu olhos lacrimejavam.
Era o momento de dar adeus a Luana e todas as suas verdades que me pareciam tão minhas. Era o momento de dar adeus a mim. 
   Luana é a mulher que sou e não consigo ver. 

domingo, 12 de junho de 2011

Apenas.

 Fui instigada a escrever e rapidamente corri a procura de papel e lápis. Papel e lápis, duas coisas tão simples. Simples matérias primas básicas para o transmitir de minhas emoções latentes. Eu escrevo, eu penso. Eu sonho. Eu existo. Eu existo de uma forma tão completa e única que nenhum outro ser na sociedade jamais será capaz de me compreender. Serei eu mesma capaz de me compreender? Eu existo. E a minha existência é para mim uma coisa tão única, tão minha. Eu existo e só eu sei o quão incrível sou e por mais que eu passe horas tentando explicar para segundos a grandiosidade de meus pensamento, de nada isso importa. Os meus pensamentos são meus, apenas meus, de mais ninguém. Percebo que tenho grande necessidade de encontrar pessoas para as quais eu possa explicar o turbilhão de emoções que possuo na alma, percebo que ao encontra-las as trato como presentes emitidos a minha existência. Engano meu, engano eu. Enorme presente recebe quem tem o prazer de ser escolhido para desfrutar uma parte mesmo que ínfima de cada sensação que detenho, cada emoção que transbordo. Sou vida, sinto o sangue percorrer minhas veias de uma forma rápida e quente e isso me faz crer que não estou aqui com um único propósito. Viver. Pessoas permitem deixar escapar a essência mais pura da raça com a qual pertencemos. Pessoas cegas resumem suas vidas ao roteiro de um filme. Eu não. Eu jamais farei isso. Eu quero viver todos os filmes, provar de todas os gostos que a vida pode me oferecer, da luxuria ao pudor. Eu quero poder gritar tão alto que minha voz atinja a frequência do ar e me calar tão profundamente ao ponto de ser considerada ser inabitável. Quero viver. Quero conhecer pessoas que me façam bem ao ponto de me alegrarem o semblante e outras que em façam mal ao ponto de me fazerem produzir a literatura mais dramática. Eu quero ser eu. Mesmo se pudesse escolher qualquer outra criatura para habitar a minha existência jamais mudaria de tom. Ninguém além de mim é digno do quão incrível posso ser.