sexta-feira, 27 de agosto de 2010
A lágrima.
Uma ardente falta de ar invade meu pulmão.
É quase uma sensação de sufocamento.
A energia corre por todas as partes do meu corpo.
Como se estivesse acordando cada célula.
Cada fio de cabelo.
Cada toque.
A emoção a flor da pele.
Os batimentos do coração disparados.
É como um alerta de algo incrível.
Os pés já não tocam o chão.
E então ela chega.
A boca já não sente a umidade habitual.
O conforto não da lugar a mais nada.
É possuidora de um poder jamais visto.
Como envolver um bebê em seu manto sagrado.
Sagrada.
Ela chega como senhora absoluta.
Detentora de uma ternura indefinida.
Dispensa qualquer gesto brusco.
Ela fala por si só.
Seria o sentimento mais nobre?
A sensação mais plena?
O maior contato entre o homem e seu interior?
Não sei.
Não sei defini-la.
Mas já a senti algumas vezes.
E a intitulo como
INCRÍVEL.
sábado, 21 de agosto de 2010
A cidade do sol.
Desde que terminei de ler este livro penso em escrever sobre ele, porém nunca conseguia me definir sobre qual das milhares de sensações incríveis que senti durante essa leitura gostaria de falar. Nada adiantou, aqui estou eu sem a menor noção do que irei relatar nesse texto.
É incrível a capacidade que certos autores tem de me apresentar a mim mesma. Sim, é exatamente isso que quis dizer, eles parecem conhecer muito mais sobre as minhas limitações e dúvidas do que eu. Sabem exatamente como me alimentar, instigar a minha curiosidade e exigir de mim muito mais do que meus pensamentos banais sobre questões aparentemente cotidianas, porém fantásticas.
Sempre tive certa atração sobre assuntos envolvendo países e culturas variadas, gosto de imaginar que existem realidades muito diferentes da minha e que muitas vezes não estão tão distantes. Mas nunca nessa proporção, nunca com essa intensidade que me invadiu o peito e me afogou os olhos.
Recordo-me vagamente do ano de 1996, eu tinha cinco anos e estudava em uma escola bem alegre. Tinha amiguinhos, meninas e meninos, e não sofria nenhum tipo de repressão por conviver com todos igualmente. Lembro que muitas vezes minha avó me buscava no final da tarde, ela morava bem próxima a escola. Eu, agitada como sempre, ia pulando ao longo do caminho e muitas vezes soltava sua mão. Era repreendida, mas logo em seguida presenteada com o seu sorriso acalentador. Seguíamos caminho, parávamos em uma padaria que hoje esta totalmente diferente. Comprávamos mil balas e como sempre dois pães de sal bem morenos, preferência do meu avô.
Levava uma vida tranquila, sem grandes feitos, sem grandes limitações. Sentia-me livre.
Desde essa época meus pais já eram separados. Para mim isso não fazia muita diferença, ou se fazia não me recordo no momento. Acho que mesmo nova já era adepta da teoria ‘Não sinto falta de pais casados porque não me lembro como seria tê-los’. Nunca sofri nenhum tipo de descriminação devido a isso, nem me passava pela cabeça que em algum lugar do mundo o estado civil dos pais poderia influenciar na imagem dos filhos.
HARAMI, esse é o nome dado a uma criança do Afeganistão cuja origem descende de um relacionamento não convencional, ou seja, a mãe não é a real esposa do pai. Não é o meu caso, mais isso me tocou profundamente. Como uma sociedade é capaz de expor uma criança a ponto de estereotipá-la? De fazê-la passar por diversas humilhações diante de uma sociedade hipócrita? Foi o que aconteceu com Mariam e com diversas outras crianças que vivem uma realidade que para mim era bem irreal até então.
Foi nesse momento que comecei a refletir sobre o mundo, sobre o quão limitado é o nosso campo de visão. Sobre o quão pouco sei e o quanto estou me isentando de inteligência ao achar que a vida que levo é a única possível e normal. Cega. É isso que sou, cega.
Tantas aulas de Geografia em vão. Passo dias reclamando de fatos banais sem ao menos saber o que acontece no outro lado do mundo, no outro lado do Meu Mundo. Acho normal vestir um vestido preto, passar um batom nos lábios e sair em busca de diversão para sábado à noite. Normal? Normal onde? Normal para quem?
Existem lugares onde as mulheres mal podem sair de suas casas. São entregues aos maridos ainda jovens, como mercadorias a serem usadas ao longo da vida. Mulheres essas que não podem mostrar o próprio rosto em publico e que se recolhem em seus aposentos ao chegar uma visita em casa.
Esse livro me tocou profundamente, me fez ver que essa mulher é exatamente como eu, exatamente como nós.
Coloquei-me na situação de Laila e Mariam, vivendo em uma sociedade onde a agressão física é garantida por lei. Logo eu, tão sonhadora e idealista. Logo eu que vivo em um país onde uma simples palmada se tornou proibida por lei. Não, eu jamais aguentaria. E por que elas aguentam então? Porque é normal, pra elas anormalidade é a vida que mulheres como eu possuem.
Em 1996, enquanto eu vivia a minha pacata infância, entrava em vigor no Afeganistão um conjunto de leis que privava a população do pouco que ainda restava. Guerras haviam tomado conta da região desde 79 e Cabul tinha se tornado uma praça de violência.
“Nosso watan chama-se agora Emirado Islâmico do Afeganistão. Eis as leis que começam a vigorar e às quais todos devem obedecer.
Todos os cidadãos devem rezar cinco vezes ao dia. Quem for apanhado fazendo outra coisa nas horas de oração será espancado.
Todos os homens deverão deixar crescer a barba. O comprimento correto é pelo menos um punho fechado abaixo do queixo. Quem não cumprir essa determinação será espancado.
Todos os meninos devem usar turbante. Os estudantes da primeira à sexta série usarão turbantes negros, os alunos das séries superiores usarão turbantes brancos. Todos deverão usar trajes islâmicos. O colarinho das camisas deve ser abotoado.
É proibido cantar.
É proibido dançar.
É proibido jogar cartas, jogar xadrez, fazer apostas e soltar pipas.
É proibido escrever livros, ver filmes e pintar quadros.
Quem possuir periquitos será espancado, e os pássaros, mortos.
Quem roubar terá a mão direita cortada na altura do pulso. Quem voltar a roubar terá um pé decepado.
Quem não é muçulmano não pode realizar seu culto em lugar onde possa ser visto por muçulmanos. Quem fizer isso será espancado e detido. Quem for apanhado tentando converter um muçulmano à sua fé será executado.
Atenção mulheres:
Vocês deverão permanecer em casa. Não é adequado uma mulher circular pelas ruas sem estar indo a um local determinado. Quem sair de casa deverá se fazer acompanhar de um mahran, um parente de sexo masculino. A mulher que for apanhada sozinha na rua será espancada e mandada de volta para casa.
Vocês não deverão mostrar o rosto em circunstância alguma. Sempre que saírem à rua, deverão usar a burqa. A mulher que não fizer isso será severamente espancada.
Estão proibidos os cosmésticos.
Estão proibidas as jóias.
Vocês não deverão usar roupas atraentes.
Só deverão falar quando alguém lhes dirigir a palavra.
Não deverão olhar um homem nos olhos.
Não deverão rir em público. A mulher que fizer isso será espancada.
Não deverão pintar as unhas. A mulher que fizer isso perderá um dedo.
As meninas estão proibidas de freqüentar a escola. Todas as escolas femininas serão imediatamente fechadas.
As mulheres estão proibidas de trabalhar.
A mulher que for culpada de adultério será apedrejada até a morte.
Ouçam.
Ouçam bem.
Obedeçam.
Allah-u-akbar.”
Todos os cidadãos devem rezar cinco vezes ao dia. Quem for apanhado fazendo outra coisa nas horas de oração será espancado.
Todos os homens deverão deixar crescer a barba. O comprimento correto é pelo menos um punho fechado abaixo do queixo. Quem não cumprir essa determinação será espancado.
Todos os meninos devem usar turbante. Os estudantes da primeira à sexta série usarão turbantes negros, os alunos das séries superiores usarão turbantes brancos. Todos deverão usar trajes islâmicos. O colarinho das camisas deve ser abotoado.
É proibido cantar.
É proibido dançar.
É proibido jogar cartas, jogar xadrez, fazer apostas e soltar pipas.
É proibido escrever livros, ver filmes e pintar quadros.
Quem possuir periquitos será espancado, e os pássaros, mortos.
Quem roubar terá a mão direita cortada na altura do pulso. Quem voltar a roubar terá um pé decepado.
Quem não é muçulmano não pode realizar seu culto em lugar onde possa ser visto por muçulmanos. Quem fizer isso será espancado e detido. Quem for apanhado tentando converter um muçulmano à sua fé será executado.
Atenção mulheres:
Vocês deverão permanecer em casa. Não é adequado uma mulher circular pelas ruas sem estar indo a um local determinado. Quem sair de casa deverá se fazer acompanhar de um mahran, um parente de sexo masculino. A mulher que for apanhada sozinha na rua será espancada e mandada de volta para casa.
Vocês não deverão mostrar o rosto em circunstância alguma. Sempre que saírem à rua, deverão usar a burqa. A mulher que não fizer isso será severamente espancada.
Estão proibidos os cosmésticos.
Estão proibidas as jóias.
Vocês não deverão usar roupas atraentes.
Só deverão falar quando alguém lhes dirigir a palavra.
Não deverão olhar um homem nos olhos.
Não deverão rir em público. A mulher que fizer isso será espancada.
Não deverão pintar as unhas. A mulher que fizer isso perderá um dedo.
As meninas estão proibidas de freqüentar a escola. Todas as escolas femininas serão imediatamente fechadas.
As mulheres estão proibidas de trabalhar.
A mulher que for culpada de adultério será apedrejada até a morte.
Ouçam.
Ouçam bem.
Obedeçam.
Allah-u-akbar.”
Essas leis não só me indignaram como me assustaram de forma indescritível. Acredito que conseguiram reunir em um único documento tudo que considero contra os direitos humanos e livre arbítrio. Mas quem sou eu para julgar uma cultura que jamais conheci, e com a qual eu não pertenço?
Gostaria muito de saber qual é a linha que separa o cultural do inaceitável, se é que existe essa distinção.
A Cidade do Sol me fez perceber o quanto sou pequena diante da diversidade existente no mundo e o quanto gostaria de poder conhece-lo.
sábado, 7 de agosto de 2010
Amor.
Ando muito intrigada com uma questão, que até então tinha passado despercebida em minha vida. Não tenho muito que falar sobre tal tema, confesso ser completamente leiga quando o assunto é amor, mas de uma coisa estou certa, tenho tantas duvidas que seria capaz de escrever um livro.
O que leva o nosso coração a escolher determinada pessoa? Ás vezes nem achamos tantas qualidades ou semelhanças em determinado homem a ponto de querê-lo como companheiro. Dizem que os opostos se atraem, mas tenho uma pequena impressão que foram exatamente esses ‘opostos’ os responsáveis pelas minhas maiores decepções.
Tem momentos que nem eu mesma me entendo, creio que não sou a única que reflito sobre essa questão. A vida nos alerta de todas as formas, nos mostra que estamos indo para um caminho errado... a pessoa amada nos decepciona, nos faz sofrer, nos oprime a ponto de não existir mais uma gota de auto estima, mas algo nos cega ao ponto de nos fazer insistir em um relacionamento inexistente, mera perda de tempo
Seria quem então o verdadeiro dono do nosso coração? O comandante desse amigo-inimigo que temos dentro de nós? Porque sim, é isso que ele é. Um amigo que nos proporciona os sentimentos mais plenos e um inimigo cruel, porque além de nos fazer sofrer, consegue nos impor algo que praticamente fere o nosso livre arbítrio, nosso direito de liberdade. Não podemos simplesmente arrancá-lo, porque ele nos pertence e nos mantêm vivos.
Não existe nada que possamos fazer contra um sentimento, o coração faz a sua própria hora. Suplicas, tentativa de substituições, nem as maiores loucuras conseguem acelerar o tempo do nosso coração. Ou seja, todo trabalho feito para esquecer uma pessoa é inútil, somos meros espectadores da vontade do nosso poderoso chefão
Ah, ele não se contenta com esse poder de comando, ele quer muito mais. O coração não dá avisos. Meu sonho é que ele tivesse aquele famoso ‘bilhetinho’ de colégio infantil. ‘Senhorita Laura, amanha ao ir à padaria você encontrará seu futuro namorado’, ‘Fique atenta, nessa boate você poderá esquecer seu amor atual’, ‘Não fique em casa hoje, tudo pode mudar se você for para rua do lado’... Como eu seria feliz!
Posso estar me apaixonando hoje, ou me afastando de alguém que amei... Sinceramente não sei! Seria eu então quem escolho os meus amores inconscientemente? Ou sou apenas vítima das escolhas de segundos?
Essas dúvidas me atormentam e me alimentam. A sensação de estar vivendo o sentimento mais nobre e ao mesmo tempo a esperança de que esse sentimento não será eterno. A qualquer momento posso me surpreender com novas experiências e como tudo na vida, as mudanças sentimentais são constantes.
Não sei nada sobre o amor, mas sei muito sobre amar...
e quanto as minhas dúvidas, não sei desvendá-las.
Só sei que elas me fascinam.
O que leva o nosso coração a escolher determinada pessoa? Ás vezes nem achamos tantas qualidades ou semelhanças em determinado homem a ponto de querê-lo como companheiro. Dizem que os opostos se atraem, mas tenho uma pequena impressão que foram exatamente esses ‘opostos’ os responsáveis pelas minhas maiores decepções.
Tem momentos que nem eu mesma me entendo, creio que não sou a única que reflito sobre essa questão. A vida nos alerta de todas as formas, nos mostra que estamos indo para um caminho errado... a pessoa amada nos decepciona, nos faz sofrer, nos oprime a ponto de não existir mais uma gota de auto estima, mas algo nos cega ao ponto de nos fazer insistir em um relacionamento inexistente, mera perda de tempo
Seria quem então o verdadeiro dono do nosso coração? O comandante desse amigo-inimigo que temos dentro de nós? Porque sim, é isso que ele é. Um amigo que nos proporciona os sentimentos mais plenos e um inimigo cruel, porque além de nos fazer sofrer, consegue nos impor algo que praticamente fere o nosso livre arbítrio, nosso direito de liberdade. Não podemos simplesmente arrancá-lo, porque ele nos pertence e nos mantêm vivos.
Não existe nada que possamos fazer contra um sentimento, o coração faz a sua própria hora. Suplicas, tentativa de substituições, nem as maiores loucuras conseguem acelerar o tempo do nosso coração. Ou seja, todo trabalho feito para esquecer uma pessoa é inútil, somos meros espectadores da vontade do nosso poderoso chefão
Ah, ele não se contenta com esse poder de comando, ele quer muito mais. O coração não dá avisos. Meu sonho é que ele tivesse aquele famoso ‘bilhetinho’ de colégio infantil. ‘Senhorita Laura, amanha ao ir à padaria você encontrará seu futuro namorado’, ‘Fique atenta, nessa boate você poderá esquecer seu amor atual’, ‘Não fique em casa hoje, tudo pode mudar se você for para rua do lado’... Como eu seria feliz!
Posso estar me apaixonando hoje, ou me afastando de alguém que amei... Sinceramente não sei! Seria eu então quem escolho os meus amores inconscientemente? Ou sou apenas vítima das escolhas de segundos?
Essas dúvidas me atormentam e me alimentam. A sensação de estar vivendo o sentimento mais nobre e ao mesmo tempo a esperança de que esse sentimento não será eterno. A qualquer momento posso me surpreender com novas experiências e como tudo na vida, as mudanças sentimentais são constantes.
Não sei nada sobre o amor, mas sei muito sobre amar...
e quanto as minhas dúvidas, não sei desvendá-las.
Só sei que elas me fascinam.
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