Parece contraditório, brasileiros que optaram por morar fora do país se reunindo em prol de algo que está acontece a quilômetros de distância de nós.
Para uns pode até parecer hipocrisia, mas ontem, por volta das 17h, cerca de 2 mil brasileiros foram as ruas. O motivo? Apoiar os manifestos ocorridos no Brasil contra o aumento das passagens (se é que um motivo era realmente necessário). Tantas lembranças me levam a crer que manifestações deveriam estar ocorrendo diariamente a no mínimo 50 anos...
O fato é, protestar contra o que?
Eu, particularmente, acho que a população ficou tanto tempo sem por a cara na rua, sem aderir a uma causa ou lutar para validar seus próprios direitos, que, nesse manifesto, os gritos vão muito além de reivindicações por redução no valor de passagens. É o grito do povo, um som que estava abafado por anos dentro das conversas familiares, dos papos de bar ou dos textos utópicos. O povo quer falar. E eu, estando longe e observando tudo que aconteceu ontem, nesse país tão distante do meu, começo a entender o porque de muitos brasileiros saírem de suas casas, deixarem suas famílias, para tentar viver a vida em outro lugar.
A questão está muito além de 20 centavos.
O POVO QUER RESPEITO!
quarta-feira, 19 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
De pés no chão
É impressionante como só percebemos que nossa vida mudou quando começamos a sentir falta da rotina. Descobrir, conhecer e desbravar novos territórios é algo realmente gratificante - mas, venhamos e convenhamos, ninguém vive de turismo, ninguém será eternamente um turista! Eu sei, é difícil assumir, mas a rotina tem lá seu valor. Quem nunca contou os dias para o inicio das férias escolares e quando elas enfim chegaram, bastou passar o primeiro mês para dar início aos planos a respeito de qual material usar no tão esperado primeiro dia de aula? Eu era mestra nisso, rs. A pessoa pode morar no Brasil, em Paris ou na Guatemala, uma hora ela simplesmente vai querer exercer as mesmas atividades que preenchiam o seu dia a dia, vai querer ser ela mesma... Eu tenho sentido saudade da minha vida, saudade de mim. E o mais legal disso tudo é perceber que por ser "a minha vida", eu posso levá-la para qualquer lugar, como uma bagagem de mão que nem pesa nas costas. E foi o que resolvi fazer. Quero acordar e comer biscoito cream cracker com chá verde, almoçar quando der tempo e correr ao entardecer. Quero ler um pouco antes de dormir, ver um filme debaixo das cobertas aos domingo e conversar sobre as complexidades do mundo com um amigo. Enfim, quero ser eu, e quero agora! Por isso estou aqui, calçando meu tênis, colocando uma música alta e indo rumo ao desconhecido. Estou indo me encontrar. Afinal, a única coisa que mudou foi a vista, de praia de Icaraí para Wimbledon Park. De resto, eu continuo sendo exatamente a mesma, sem tirar nem por.
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