sexta-feira, 22 de março de 2013

Dívida alimentar


  É impressionante o que uma pessoa tem a te oferecer, ou a te tirar. Pensar que cada indivíduo circulando no mundo, sentado ao seu lado no ônibus ou esbarrando em você ao atravessar a rua, possui total capacidade de impactar a sua vida, a sua existência, a sua história... Apavorante!
  Dentro de cada um de nós existe uma incrível e complexa máquina, e dela surgem todas as emoções, sensações e histórias de vida. Memórias mal formuladas que eu já cansei de tentar entender de onde vem.
  Cabe a nós decidir o que fazer com a nossa máquina.

  Livre arbítrio. Direito concedido. Escolhas. Consequências.

  Podemos deixá-la sem combustível, alimentando-a apenas do básico para que continue exercendo suas funções vitais.

Alma alienada. Estado vegetativo do ser.

  Ou podemos dar a ela gasolina aditivada, que como sabemos, custa caro. E nem todos estão dispostos a pagar.

Escolhas. Livres escolhas. Suas escolhas. Sua vida.

  Eu optei por me endividar.
  Darei a minha máquina o que existir de mais moderno no mercado. A alimentarei de ideias e lembranças, de situações embaraçosas e intrigantes. A alimentarei de contos mal contados e de histórias sem final. Não só as minhas, claro, mas sim a dos outros, a de todos os outros. Sugarei o máximo dos livros que ler, dos amores que viver e das pauladas que levar. Quero escutar histórias de vida. Histórias vivas. Quero me sentir viva.
  Pode ser algo triste, não importa, eu quero saber. E mesmo sabendo que o preço será alto, eu estou disposta a pagar. E você?
  Tem algo para dividir? Uma aflição, um medo? Vamos lá, pode me contar. Se abra para mim. Se feche para mim. Não importa, eu quero tentar. 

 Quero tentar entender a incrível complexidade que é viver sendo você. 
 Sem que para isso eu precise deixar de ser eu.

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