É impressionante o que uma pessoa tem a te oferecer, ou a
te tirar. Pensar que cada indivíduo circulando no mundo, sentado ao seu lado no
ônibus ou esbarrando em você ao atravessar a rua, possui total capacidade de
impactar a sua vida, a sua existência, a sua história... Apavorante!
Dentro de cada um de nós existe uma incrível e complexa
máquina, e dela surgem todas as emoções, sensações e histórias de vida. Memórias
mal formuladas que eu já cansei de tentar entender de onde vem.
Cabe a nós decidir o que fazer com a nossa máquina.
Livre arbítrio. Direito concedido. Escolhas.
Consequências.
Podemos deixá-la sem combustível, alimentando-a apenas do
básico para que continue exercendo suas funções vitais.
Alma alienada. Estado vegetativo do ser.
Ou podemos dar a ela gasolina aditivada, que como sabemos,
custa caro. E nem todos estão dispostos a pagar.
Escolhas. Livres escolhas. Suas escolhas. Sua vida.
Eu optei por me endividar.
Darei a minha máquina o que existir de mais moderno no
mercado. A alimentarei de ideias e lembranças, de situações embaraçosas e
intrigantes. A alimentarei de contos mal contados e de histórias sem final. Não
só as minhas, claro, mas sim a dos outros, a de todos os outros. Sugarei o
máximo dos livros que ler, dos amores que viver e das pauladas que levar. Quero
escutar histórias de vida. Histórias vivas. Quero me sentir viva.
Pode ser algo triste, não importa, eu quero saber. E
mesmo sabendo que o preço será alto, eu estou disposta a pagar. E você?
Tem algo para dividir? Uma aflição, um medo? Vamos lá,
pode me contar. Se abra para mim. Se feche para mim. Não importa, eu quero
tentar.
Quero tentar entender a incrível complexidade que é viver sendo você.
Sem que para isso eu precise deixar de ser eu.
Quero tentar entender a incrível complexidade que é viver sendo você.
Sem que para isso eu precise deixar de ser eu.
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