É impressionante como só percebemos que nossa vida mudou quando começamos a sentir falta da rotina. Descobrir, conhecer e desbravar novos territórios é algo realmente gratificante - mas, venhamos e convenhamos, ninguém vive de turismo, ninguém será eternamente um turista! Eu sei, é difícil assumir, mas a rotina tem lá seu valor. Quem nunca contou os dias para o inicio das férias escolares e quando elas enfim chegaram, bastou passar o primeiro mês para dar início aos planos a respeito de qual material usar no tão esperado primeiro dia de aula? Eu era mestra nisso, rs. A pessoa pode morar no Brasil, em Paris ou na Guatemala, uma hora ela simplesmente vai querer exercer as mesmas atividades que preenchiam o seu dia a dia, vai querer ser ela mesma... Eu tenho sentido saudade da minha vida, saudade de mim. E o mais legal disso tudo é perceber que por ser "a minha vida", eu posso levá-la para qualquer lugar, como uma bagagem de mão que nem pesa nas costas. E foi o que resolvi fazer. Quero acordar e comer biscoito cream cracker com chá verde, almoçar quando der tempo e correr ao entardecer. Quero ler um pouco antes de dormir, ver um filme debaixo das cobertas aos domingo e conversar sobre as complexidades do mundo com um amigo. Enfim, quero ser eu, e quero agora! Por isso estou aqui, calçando meu tênis, colocando uma música alta e indo rumo ao desconhecido. Estou indo me encontrar. Afinal, a única coisa que mudou foi a vista, de praia de Icaraí para Wimbledon Park. De resto, eu continuo sendo exatamente a mesma, sem tirar nem por.

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