Faz tempo que a correria do dia-a-dia me impede de pensar
nessas coisas subjetivas. De certa forma isso me faz bem, já que tenho grande
tendência à melancolia e as grandes reflexões costumam me fazer sofrer
bastante.
Além do mais, a fuga vem se tornando minha grande aliada.
Como todos sabem é bem mais fácil fingir não ver os problemas do que encará-los
de frente. Podemos chamar de ‘o famoso comodismo dos cegos. ’
Entretanto, estive pensando na morte.
Inevitável,
indecifrável.
Eu posso fugir de qualquer pensamento que me traga tristeza.
Posso fugir de uma análise mais profunda do que realmente sou. Posso fugir de
mim. Mas jamais poderei fugir da morte.
Por vezes paro pra pensar na minha verdadeira função na terra.
Chego a acreditar que minha vinda não foi em vão. Algum objetivo existe a ser
cumprido, mesmo que eu não saiba ao certo qual. Talvez eu viva em busca de uma
felicidade que nem ao menos me foi destinada. Ou talvez, quem sabe, o meu
destino esteve em algo que passou e eu não soube decifrar e, por não saber
decifrá-lo, eu não seja digna do deslumbre. Vai saber...
Mas uma coisa é certa, a morte me aguarda. Posso não saber
ao certo quando ela virá ou o que me trará como surpresa, mas ela virá. E terei
que estar pronta para recebê-la, pois ela não me permitirá levar lembranças do
que não vivi.
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