Estava hoje travando com uma amiga uma daquelas conversas que começam com um objetivo, mas acabam mudando completamente seu curso no decorrer do tempo. Falávamos sobre o tempo, sentimentos e sonhos, sonhos esses que não sabemos se vão ou não se tornar realidade. Falávamos sobre o passado, o presente e o tão esperado e temido futuro, futuro esse que me traz uma sensação de total impotência.
Na verdade, existem dois tempos verbais que me intrigam muito: o passado e o futuro.
Dedico grande parte do meu tempo recordando coisas que já vivi e não tenho a menor pretensão de reviver. Sei lá porque, mas têm momentos da minha vida que parecem ter se tornado ‘propagandas de tv’, eles se repetem desenfreadamente na minha memória de uma maneira inconsciente e incontrolável. É como um filme travado em determinada cena, se repetindo, se repetindo... Lembro-me que quando os vivi jamais poderia imaginar a importância que iriam adquirir na minha vida e o quanto ocupariam o meu pensamento.
Acredito que isso tudo esteja ligado à saudade.
E a saudade é outra que me intriga muito.
Já parei pra pensar e cheguei a conclusão que todas as duvidas que tive em relação aos sentimentos foram cessadas pela saudade. Se pedirem, hoje, para que eu defina saudade certamente vou dizer que é a maior certeza da ocorrência de um sentimento verdadeiro, sentimento esse que foi forte o bastante para deixar marcas.
Resumindo, para mim saudade é sinônimo de esclarecimento!
Ah, se tudo terminasse nessa bela frase impactante...
Mas esse é só o começo de um longo e sórdido processo manipulado por ela, a nossa temível adorável saudade. E não, ela não chega sozinha, ou você acha mesmo que uma senhora desse porte andaria por aí desacompanhada? Tremenda inocência.
Juntos surgem milhares de outros ‘mini-sentimentos’ que a torna perigosa: culpa, remorso, raiva, indignação, alegria, alívio, euforia, desespero... ‘Por que não dei mais valor ao que tinha?’, ‘Por que fui tão egoísta?’, ‘Se eu pudesse voltar no tempo’, ‘Agora eu sei que ele realmente era o homem da minha vida’...
Mas... só um pequeno detalhe: a saudade não é uma maquina do tempo!
Por mais que funcione como uma válvula de escape e aparente ser o sentimento mais confortante do mundo, por ser a única ligação latente com momentos vividos, nada fará com que a vida regresse.
Independentemente do que sinto em relação ao passado e da falta que ele me faz no presente, jamais conseguirei retomar algo que já foi. E é exatamente por isso que concordo com Chico Buarque quando ele diz ‘que a saudade é o pior castigo’, pois é como botar o dedo na ferida ainda aberta, lembrar de momentos que não existem mais.
É, o tempo não perdoa.
Cheguei a conclusão que tanto temia.
Dedico à maior parte do meu tempo minando coisas que já ocorreram e vivendo em prol de recordações e catarses que nunca me proporcionaram plenitude. O pouco tempo que me resta uso para sonhar e programar um futuro sem a menor garantia que ele realmente existirá, afinal, posso morrer a qualquer minuto.
E o presente?
Será que só agora me dou conta de que é desse presente que se criarão minhas futuras memórias do passado? E que é nesse presente que devo lutar para conquistar os meus tão sonhados planos do futuro?
Vejo-me completamente contraditória diante dessas constatações, como posso ir contra meu próprio pensamento? Realmente não sei.
Mas de uma coisa eu sei: eu não quero viver de saudade!
Na verdade, existem dois tempos verbais que me intrigam muito: o passado e o futuro.
Dedico grande parte do meu tempo recordando coisas que já vivi e não tenho a menor pretensão de reviver. Sei lá porque, mas têm momentos da minha vida que parecem ter se tornado ‘propagandas de tv’, eles se repetem desenfreadamente na minha memória de uma maneira inconsciente e incontrolável. É como um filme travado em determinada cena, se repetindo, se repetindo... Lembro-me que quando os vivi jamais poderia imaginar a importância que iriam adquirir na minha vida e o quanto ocupariam o meu pensamento.
Acredito que isso tudo esteja ligado à saudade.
E a saudade é outra que me intriga muito.
Já parei pra pensar e cheguei a conclusão que todas as duvidas que tive em relação aos sentimentos foram cessadas pela saudade. Se pedirem, hoje, para que eu defina saudade certamente vou dizer que é a maior certeza da ocorrência de um sentimento verdadeiro, sentimento esse que foi forte o bastante para deixar marcas.
Resumindo, para mim saudade é sinônimo de esclarecimento!
Ah, se tudo terminasse nessa bela frase impactante...
Mas esse é só o começo de um longo e sórdido processo manipulado por ela, a nossa temível adorável saudade. E não, ela não chega sozinha, ou você acha mesmo que uma senhora desse porte andaria por aí desacompanhada? Tremenda inocência.
Juntos surgem milhares de outros ‘mini-sentimentos’ que a torna perigosa: culpa, remorso, raiva, indignação, alegria, alívio, euforia, desespero... ‘Por que não dei mais valor ao que tinha?’, ‘Por que fui tão egoísta?’, ‘Se eu pudesse voltar no tempo’, ‘Agora eu sei que ele realmente era o homem da minha vida’...
Mas... só um pequeno detalhe: a saudade não é uma maquina do tempo!
Por mais que funcione como uma válvula de escape e aparente ser o sentimento mais confortante do mundo, por ser a única ligação latente com momentos vividos, nada fará com que a vida regresse.
Independentemente do que sinto em relação ao passado e da falta que ele me faz no presente, jamais conseguirei retomar algo que já foi. E é exatamente por isso que concordo com Chico Buarque quando ele diz ‘que a saudade é o pior castigo’, pois é como botar o dedo na ferida ainda aberta, lembrar de momentos que não existem mais.
É, o tempo não perdoa.
Cheguei a conclusão que tanto temia.
Dedico à maior parte do meu tempo minando coisas que já ocorreram e vivendo em prol de recordações e catarses que nunca me proporcionaram plenitude. O pouco tempo que me resta uso para sonhar e programar um futuro sem a menor garantia que ele realmente existirá, afinal, posso morrer a qualquer minuto.
E o presente?
Será que só agora me dou conta de que é desse presente que se criarão minhas futuras memórias do passado? E que é nesse presente que devo lutar para conquistar os meus tão sonhados planos do futuro?
Vejo-me completamente contraditória diante dessas constatações, como posso ir contra meu próprio pensamento? Realmente não sei.
Mas de uma coisa eu sei: eu não quero viver de saudade!

Amiga,
ResponderExcluirconsidero que não seja benéfico viver apenas se recordando do passado, mas não acho que faz isso.
Em todas as conversas que tivemos acerca do passado eu percebi em você constantes reflexões. Você busca compreender o seu eu de hoje pelo eu de ontem e ouvir suas lembranças é prazeroso e um desafio, pois é um convite a te conhecer melhor.
A saudade pode ser uma brisa de mar batendo nos nossos cabelos como um cancêr que definha nossa alma. A senhora saudade gosta bastante da vaidade e se a atiçarmos mais do que o "necessário", ela se enche de si e nos consome. Precisamos colocar a saudade no seu lugar e utilizá-la com o fim de crescimento interior quando ela vier nos visitar.
Há duas saudades que penso que sejam as maiores na vida: a saudade de um filho que já se foi e a saudade de um "eu" que se transformou.
Não fique com saudade de quem você foi a um ponto que sinta inveja de si mesma. Continue alimentando o que há de mais puro dentro de você. Pois é quando deixa-se a criança de dentro de nós ir embora que plantamos o terreno para sentirmos uma saudade tão sufocante de nós próprios ao ponto de nos frustrasmos e sermos nossos próprios inimigos. Eu não senti essas maiores tristezas, mas há algo que me diz que elas são as maiores.
Eu não digo que é triste se lembrar de nós próprios no passado. Deve ser triste ter a lembrança de uma pessoa leve sabendo-se que a pessoa atual é pesada e contaminada.
Por isso insisto tanto para que cultive esse lado criança! Por isso cultivo o meu, não importando o que as pessoas digam!
Caso eu me transformasse em alguém pensando na opinião dos outros eu sentiria imensa saudade de quem sou hoje e essa saudade me mataria a um ponto de me transformar em cadáver vivo, em que teria um enterro que só teria a minha presença. Eu não suportaria.
O grande prazer de ser sua amiga é que você é um estímulo à criança que há dentro de mim.
Que nossas saudades sejam sempre apenas brisas de mar nos nossos cabelos!
Há um pedido a fazer: avise-me caso um dia eu me torne chata para que eu possa pegar minha boneca e meu barco de sonhos de novo em vez de pegar o caminho da amargura...
Te amo amiga! :)